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Ago 18

Cortes de 1439: Reinado de D. Afonso V

 

Nas Cortes do reino de 1439, os procuradores de Garvão alegaram junto do Regente (o infante D. Pedro) que D. João I tinha lançado mão, naquele lugar, aos lavradores que os possuíam, certo trigo, cevada e gado, para Ceuta, bens esses que nunca lhes tinham chegado a ser pagos.

 

O financiamento da campanha militar relacionada com a conquista portuguesa da praça norte-africana de Ceuta, no verão de 1415 por D. João I, implicou uma série de medidas extraordinárias, nomeadamente, entre outras, a requisição de gado e cereais aos agricultores da província, incluindo, como se observou, aos do concelho de Garvão.

 

Gado e cereais esses que vinte e quatro anos depois ainda não tinham sido pagos, o que levou o procurador do concelho a intervir para o seu efectivo pagamento.

 

Esta requisição forçada de bens, organizado e gerido pela própria Coroa, com vista a financiar as frotas e o exército para grandes operações militares, pode ser visto como um verdadeiro saque das populações, pois quase sempre esses bens ficavam por pagar, arrastando-se durante anos e anos, sem uma solução minimamente satisfatória para as populações, pois a coroa, apesar de concordar nesse pagamento, nunca relevava disponibilidade financeira para o fazer.

 

[Capítulo 2.º]

Senhor sabera a uossa merçee que El Rey dom Ioham

uoso auoo cuIa alma deus aIa lançou certos gaados[1] em estes

llugares suso dictos .s. aos llauradores e aaquelles que os tijnham

E esso medes certo trigo e ceuada pera cepta os quaaes gaados

nem pam nunca nos foy pagado o qual el Rey dom Edhuarte cuIa

alma deus aIa o mandou senpre uer em estes lugares suso dictos

pera os mandar pagar de que nunca dello ouuemos nenhuũa cousa

Por que uos pidjmos Senhor por merçee que desencarreguees

a alma de uosso padre e nos mandees pagar

em esto nos farees merçee

 

Fazee certo do que o dicto Senhor meu auoo que deus aIa

deue E nos o mandaremos pagar.[2]

 

[1] Riscado: “per”.

[2] ORGANIZAÇÃO E REVISÃO GERAL: João José Alves Dias. Pedro Pinto.

EDIÇÃO DIGITAL: Centro de Estudos Históricos, Universidade NOVA de Lisboa. CHAM, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa, Universidade dos Açores

publicado por José Pereira às 21:49

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