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     Segundo informação de Tiago Maia, da povoação de Malta, (freguesia de Malta e Canidelo, Concelho de Vila do Conde), corre a história que José Júlio da Costa esteve, durante algum tempo, escondido numa casa na localidade de Malta.

     José Júlio da Costa, no seguimento da sua prisão depois de ter cometido o atentado que vitimou o presidente da república Sidónio Pais, viria a ser solto pelos autores da “noite Sangrenta” em 19 de Outubro de 1921.[1]

     Sobre o local ou locais para onde foi levado e onde esteve escondido, têm surgido várias informações, nomeadamente Rocha Martins nas páginas dos seus Fantoches onde dá conta que José Júlio da Costa foi primeiramente levado para Nine, perto de Braga, e posteriormente terá ficado escondido noutras localidades no Norte do País.[2]

     Surge agora, como já se afirmou, a informação de que esteve igualmente escondido numa casa da povoação de Malta no Concelho de Vila do Conde e segundo Tiago Maia:

 

     A casa em questão é cá conhecida como a Casa do Moreira da Quinta, que no início do séc. passado pertencia a José Moreira da Quinta. Atualmente pertence a descendentes deste. Já falei com eles, mas o que sabem é apenas que o assassino de Sidónio Pais esteve lá escondido num saguão[3]  ou numa mina de água que já não existe.

     Provavelmente porque o tal José Moreira da Quinta simpatizava com a causa. Já falei com várias pessoas de mais idade na freguesia, incluindo o meu avô, mas apenas contam a mesma história.

     No romance, Psiché, do escritor Fernando Campos que passou a sua infância nesta freguesia, umas personagens do livro passam uns dias nesta Casa do Moreira da Quinta e numa conversa mencionam a mesma história que aqui transcrevo. Este livro é a história romanceada do avô materno do autor. Também já falei com a filha de Fernando Campos, mas também não sabe de mais nada.

    "Enquanto se pôs a executar uma valsa de Chopin ouvia o cunhado a dizer:

    - No saguão desta casa se escondeu por vários dias o assassino de Sidónio Pais. Dizem os que na altura passavam na estrada verem um homem embuçado recolher-se, vindo de estranho vagabundear noturno, e, antes de entrar, virar-se para a igreja ameaçando-a com o punho fechado e os olhos a fuzilarem cóleras."

     A casa fica na Rua de Igreja, n.º 126, Malta, Vila do Conde.

     Envio também em anexo fotos da casa. Antigamente era revestida a azulejo verde, mas hoje em dia expuseram a pedra durante o último restauro. As fotos antigas são de procissões e vê-se a casa ao fundo.

 

[1] A “Noite Sangrenta”, episódio ocorrido entre o dia 19 e a madrugada de 20 outubro de 1921, encheu de horror a opinião pública nacional e internacional e marcou o futuro da I República de forma irreversível, nesse dia um grupo de sublevados recolhe numa camioneta e são assassinados, vários heróis do 5 de Outubro de 1910, incluindo Carlos da Maia e Machado Santos. Uma das primeiras preocupações dos golpistas foi a libertação de José Júlio da Costa nesse mesmo dia, que se encontrava detido no Hospital Miguel Bombarda, por um grupo de 300 civis armados que, segundo informações da época, ter-se-ão dirigido ao referido hospital e o levado para o Centro Republicano António Maria Baptista, onde lhe prestaram homenagem antes de seguir para lugar incerto no Norte do país

[2] José Pereira Malveiro. O Famigerado Herói do crime Grande da Estação do Rocio, 2018.

[3] Saguão - Espaço aberto entre duas alas do mesmo edifício para permitir a claridade e ventilação, geralmente sem saída.

publicado por José Pereira Malveiro às 11:09

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