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Jul 21

Circuito da Cola 1.jpg

ENQUADRAMENTO  LOCAL

 

           O Castro da Cola, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1910, traduzindo assim a sua importância em termos nacionais. Difere dos restantes itinerários arqueológicos devido à forma como foi planificada a sua promoção e organização da visita, já que abarca circuitos, que conduzem o visitante a diversos pontos de interesse turístico.

             Situa-se no interior do Baixo Alentejo, mais exactamente no concelho de Ourique, num território onde o Rio Mira e as suas margens abrigaram populações desde os tempos mais remotos, desenvolvendo actividades ligadas à agricultura, as quais estabeleciam um ténue contacto entre a terra e o rio que fertilizava  “uma zona pouco povoada, onde algumas aldeias dispersas pelo território (o Castro da Cola foi uma delas até ao século XIII) organizaram o povoamento” (IPPAR - Roteiros da Arqueologia Portuguesa: 2002; 9). Neste contexto destacam-se as pequenas explorações agrícolas complementadas com pequenas casas, formando o tão conhecido monte alentejano.

         Integram este circuito um conjunto de quinze sítios:

Fernão Vaz 1 - Neo-Calcolítico (Monumento Funerário Megalítico);

Fernão Vaz 2 - Neo-Clacolítico (Monumento Funerário Megalítico);

Cortadouro – Idade do Ferro e época indeterminada (Povoado);

Nora Velha 1 - Neo-Calcolítico, com reutilizações nas Idades do Bronze e Ferro (Monumento Funerário Megalítico);

Alcaria 1 – A e B - Idade do Bronze (Necrópole e estrutura associada);

Alcaria 2 - Idade do Bronze (Necrópole);

Atalaia - Idade do Bronze (Necrópole);

Fernão Vaz - Idade do Ferro, com uma ocupação posterior Medieval/Islâmica (Povoado);

Porto das Lajes - Idade do Ferro (Povoado);

Fernão Vaz - Idade do Ferro (Necrópole);

Casarão - Idade do Ferro (Monumento Funerário);

Pego da Sobreira - Idade do Ferro (Monumento Funerário);

Vaga da Cascalheira - Idade do Ferro (Necrópole);

Nora Velha 2 - Idade do Ferro (Necrópole);

Castro da Cola - Neolítico até à Época Medieval (Povoado).

            Este sítios ilustram diversas épocas e revelam a evolução humana ao longo dos tempos, numa área onde o clima era seco e no qual a água era um bem precioso e raro. Os pontos de interesse inseridos no itinerário arqueológico encontram-se dispersos em torno de um deles, que dá o nome ao próprio Circuito – o Castro da Cola.

           O CIRCUITO ARQUEOLÓGICO

           O circuito possui quinze pontos de relevância (já referidos), mas nem todos estão disponíveis para o visitante comum, devido aos difíceis acessos. Deste modo, o IPPAR pretende adquirir, num futuro próximo, um jipe para colmatar tais dificuldades, garantindo assim o acesso a todos os sítios mesmo os mais complicados como é o caso da Alcaria de Fernão Vaz, ainda não disponível ao comum turista/visitante.

           Face ao exposto, passaremos a descrever somente o que nos foi possível visitar – o Castro da Cola, ou seja o ponto central. Mesmo aqui encontrámos inúmeras dificuldades, nomeadamente a própria leitura (imediata) das ruínas dada a existência de inúmeras ervas que coabitam, descontroladamente, com os vestígios, pouco perceptíveis aos olhos do turista.

           PRECARIEDADE DO PERCURSO E SINALÉTICA EM DIFÍCIL ACESSO

          O difícil acesso e a deficitária leitura das placas dispostas pelo Castro da Cola, quase inviabilizam a compreensão do sítio. Torna-se imperativo o acompanhamento efectivo de um guia para que seja possível usufruir do local.

         O PERCURSO E AS PLACAS EXPLICATIVAS NO CASTRO DA COLA.

          As placas explicativas apresentam a mensagem principal escrita apenas em português. Os desenhos referentes ao que se está a visualizar no terreno não são de fácil apreensão, devido à projecção de números que identificam os compartimentos do Castro, o que poderá conduzir a umas interpretações desajustadas.

            INTERVENÇÃO E  MUSEALIZAÇÃO

           O Castro da Cola,  “foi um dos sítios arqueológicos portugueses que primeiro despertou a atenção dos antiquários” (IPPAR - Roteiros da Arqueologia Portuguesa: 2002; 7). Foram muitas as investigações realizadas neste terreno. No entanto, recorda-se a primeira escavação efectuada, a qual  “deve-se a Abel Viana (...) ao longo de muitos anos, e em condições (...) de uma extraordinária  dificuldade e de grande sacrifício pessoal, este investigador, notável pela sua capacidade de compreensão da realidade humana em que trabalhava (...) escavou o castro e vários monumentos ao redor” (IPPAR - Roteiros da Arqueologia Portuguesa: 2002; 7).

            Este investigador foi o impulsionador da descoberta e posterior inventariação das peças recolhidas. A sua obra foi continuada pelo arqueólogo Caetano de Mello Beirão o qual, na década de 70, realizou descobertas importantíssimas sobre a Idade do Ferro. Pode-se, pois, afirmar que  “a este arqueólogo se deve a primeira ideia de um parque arqueológico, hoje materializada no Circuito Arqueológico da Cola.” (IPPAR - Roteiros da Arqueologia Portuguesa: 2002; 7)

             Deste projecto a maior intervenção realizada consistiu na construção do Centro de Acolhimento e de Interpretação e no planeamento de um circuito delineado em pontos arqueológicos de indiscutível interesse. Todas estas intervenções ajudaram na concretização dos principais objectivos que fundamentam a definição actual do  Museu-Território.

               OS  VISITANTES

           Em reposta a este novo tipo de musealização, surge um visitante mais exigente em novos aspectos museológicos e informativos. Deste modo, teremos que criar estratégias apelativas e promocionais a fim de cativar os turistas, promovendo a sua deslocação ao circuito arqueológico estudado. Com base na perspectiva e testemunho do guia do circuito, é preciso aplicar métodos promocionais mais agressivos, promover conjuntamente este produto com outras potencialidades da região e, apostar fortemente na formação de recursos humanos, ou seja, em guias.

         Assim como exemplo, atrever-nos-íamos a afirmar que o Circuito Arqueológico da Cola é um espaço, actualmente, pouco apelativo e acessível. Graças ao recente Centro de Acolhimento e Interpretação e ao esforço na planificação do circuito, pretende-se num futuro próximo, com a aquisição de jipes, ou dos meios de transportes adequados que seja dada a possibilidade ao turista de sentir-se motivado e atraído para este tipo de produto.

           Com base na tipologia de Alberto Angela (1988) 15 e na experiência e testemunho do nosso guia/recepcionista ao Castro da Cola, podemos afirmar que os tipos de mercado correspondentes ao circuito são as  famílias , incluindo as  crianças , integradas nas visitas escolares ou nas famílias.

             Baseado no inquérito enviado ao Circuito Arqueológico da Cola identificamos uma grande oscilação no número de visitantes anuais, realçando o decréscimo registado no ano de 2003 e a posterior retoma no ano seguinte.

             É fulcral salientar o facto de não existir uma avaliação de mercado que nos possa auxiliar na importância do investimento que o IPPAR tem vindo a efectuar nos últimos 5 anos, com o objectivo de valorizar e estreitar a relação patrimonial entre o público e a população local. Como tal é urgente criar meios de análise que conduzam à avaliação e/ou adopção de estratégias eficazes para atingir o fim principal – atracção de turistas/visitantes.

          De acordo com a análise SWOT realizada durante a visita ao sítio arqueológico evidenciamos como principais fragilidades:

- A falta de sinalética durante o percurso exterior;

- A inexistência de informação turística noutras línguas estrangeiras;

- A precaridade nos acessos.

            Contudo, no inquérito preenchido pela entidade denotámos algumas disparidades comparativamente com a nossa análise. Por exemplo, quando a entidade refere a existência de idiomas na sinalização, que não detectámos, ou de placas identificativas no decorrer do percurso possibilitando a realização de trilhos autoguiados. De facto foi extremamente difícil realizar a visita sem o auxílio do guia/recepcionista do Centro de Acolhimento e Interpretação.

 

In: Sítios Arqueológicos E Centros De Interpretação, Em Portugal – Alentejo E Algarve

Patrícia Mareco, 2007

 

publicado por José Pereira Malveiro às 15:00

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