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Descoberta Em Garvão

 

          A medalha que aqui se apresenta foi descoberta pelo falecido António Loução, mais conhecido por "Mudo", em 2009, quando procedia ao amanho da horta situada na Rua Nova, desconhecendo-se se encontrava no local e foi desenterrada quando se procedia ao amanho da terra ou se foi trazida para este local junto a alguma carrada de fertilizante animal (estrume).

          Trata-se de uma medalha de devoção, talvez proveniente da igreja de Santa Cruz de Jerusalém, em Roma, onde se venera uma relíquia da santa cruz de Jesus.

          No anverso da medalha reconhece-se a Cruz de Cristo, rodeada dos instrumentos da paixão ou martírios do Senhor.

          Eram esses martírios que as crianças, vestidas de anjos, levavam nas procissões dos passos, na quaresma ou semana santa.

          Rodeando a cruz, vêem-se, do lado esquerdo, os flagelos, a torquês, o martelo. À direita, a espada, a vara com a esponja de vinagre na ponta.

          Legenda: SAN[CTUS] DEUS SAN[CTUS] FOR[TIS] SAN[CTUS] IMORT[ALIS] MIS[ERERE] NOB[IS] ROMA = Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tende piedade de nós. Era este um chamado impropério ou antífona que se cantava na adoração da cruz, na sexta-feira santa. Cantava-se também em grego: Hagios o Theos, Hagios Ischiros, Agios Athanatos, eleison himas.

          No reverso, em xis, a escada e a coluna, mais abaixo o galo (da negação de Pedro), a túnica de Cristo, os dados com que ela foi sorteada. Legenda: PAS[CHA] CRIS[TI] SAL[VA] NOS.

          Estes símbolos da paixão de Cristo vêem-se em certos cruzeiros, principalmente no Centro e Norte do país, por exemplo, num que está no monte de Santo Amaro, em Maceira; outro em frente da capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, no Alqueidão da Serra, Porto de Mós; outro em frente da capela de Nossa Senhora da Ortiga, perto de Fátima, etc. (...)

          A grandiosa composição realizada por Michelangelo entre 1536 e 1541, concentra-se em torno da figura dominante do Cristo, representado no instante que precede à emissão do veredito do Juízo (Mt 25,31-46). Seu gesto, imperioso e sereno, parece ao mesmo tempo chamar à atenção e aplacar a agitação circundante: isto dá o início a um amplo e lento movimento rotatório no que se veem envoltas todas as figuras. Ficam fora deste as duas lunetas acima, com grupos de anjos que levam em voo os símbolos da Paixão (à esquerda, a Cruz, os dados e a coroa de espinhos; à direita, a coluna da Flagelação, a escada e a lança com a esponja banhada em vinagre)

          Símbolos da paixão de Cristo:

          Escada: A escada foi um dos instrumentos usados na crucificação de Cristo.

          Esponja: Afixada numa haste que foi usada para oferecer vinagre a Jesus enquanto estava na cruz.

          Chicote e Pilar: O chicote é mostrado junto de um pilar, no qual Jesus provavelmente foi amarrado.

          Pregos: Os pregos foram instrumentos da crucificação de Jesus.

          Coroa de espinhos: Simboliza o flagelo de Cristo.

          Coração: Com chamas de fé.

          Galo: Simboliza a omissão a Cristo quando São Pedro nega tê-lo conhecido.

          Martelo: Utilizado para cravar os pregos nas mãos e pés de Cristo.

          JNRJ ou INRI: Inscrição que significa Jesus Nazareno Rei dos Judeus.

          Lança: Dos soldados romanos que transpassou o coração de Jesus.

          Torquês: Utilizada para arrancar os pregos que prendiam as mãos e os pés de Cristo.

          Canas: Que serviam como cetro quando Cristo foi torturado e intitulado rei dos judeus.

          Corneta: Que servia como arauto anunciando a morte de um condenado.

          Cálice: Onde foi recolhido o sangue de Cristo.

          Ossos humanos: Diz a lenda que, quando Cristo agonizava na cruz, no Monte Calvário, houve uma grande tempestade e a erosão escavou na base do Monte alguns ossos que seriam de Adão.

publicado por José Pereira Malveiro às 13:13

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