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Dez 18


CENTENÁRIO
“O famigerado heroi do Crime Grande da Estação do Rocio”
SEGUNDA PRISÃO
Ou o Resgate em 1927
Parte 11 (de 12)

        

          José Júlio da Costa só em 14 de Janeiro de 1927, sexta-feira, volta a ser preso, em Matosinhos, no hotel Central, onde se encontrava protegido pelo proprietário Alberto Midões, em circunstâncias ainda não plenamente esclarecidas, por António Maria Fernandes, funcionário público, apoiante de Sidónio Pais e sidonista convicto. José Júlio da Costa volta à Penitenciária de Lisboa de onde só sairá para o hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, aonde viria a falecer em 28 de janeiro de 1948.
          António Maria Fernandes não seria um obscuro funcionário público, como os jornais da época fizeram crer, seria um dos muitos que Sidónio Pais aliciou para as suas fileiras, nomeadamente para a sua Policia Preventiva. O seu percurso coloca-o no meio dos círculos revolucionários que agitavam o país antes de Sidónio, de facto António Maria Fernandes era conhecido de José Júlio da Costa e andaram pelos mesmos círculos do desassossego politico.
          O jornal “O Século”, de 16 de Janeiro de 1927, relata “O senhor António Maria Fernandes, funcionário público, é aquele indivíduo que, na noite de 19 de Julho de 1925, fardado de capitão, subiu para bordo do “Vasco da Gama”, acompanhando o comandante Mendes Cabeçadas, a fim de revoltar a guarnição daquele barco”. Ora não será um reles funcionário publico que tem acesso directo ao ministro, nem muito menos veste a farda de capitão e subleva a tripulação dum navio com o futuro primeiro-ministro, (Presidente do Ministério).
          A sua actuação só se compreende dentro dum quadro politico em que alguns membros dos grupos de civis armados ao serviço dos partidos, inclusivamente da carbonária e da Formiga Branca, tenham feito a passagem, como muitos outros, para a nova policia politica.
          As circunstâncias da iniciativa de tal prisão, não estão cabalmente esclarecidas. Era certo que com a mudança política os apoios que o sustentaram esses anos todos, começaram a rarear. Era certo, igualmente, que as ajudas familiares se tornavam insustentáveis devido à falta de rendimentos provenientes das propriedades da esposa, vendidas anteriormente e cujas receitas José Júlio da Costa já há muito tinha desbaratado e, às dificuldades financeiras da restante família. Terá de se entender que tal inciativa terá sido o resultado de um aglomerar de circunstâncias a que o próprio José Júlio da Costa e respectiva família não eram alheios.
          Assim, por ordens superiores ou por iniciativa própria e combinado com os familiares de José Júlio da Costa e com o conhecimento deste, António Maria Fernandes munido de um salvo-conduto que o permitia requisitar as forças da ordem, parte primeiro para Garvão e Algarve e, seguidamente, acompanhado por um irmão de José Júlio da Costa, para o Norte onde viria a efectuar a prisão, segundo a versão da imprensa na altura, ou o resgate, segundo a opinião de alguns familiares que o aconselhavam a entregar-se.
         O jornal O Século de 16 de Janeiro de 1927 relata que: várias pessoas da família o aconselharam a que se entregasse à prisão, e que este se recusava com medo de represálias, tudo leva a crer que, com a mudança política e uma vez dissipadas essas dúvidas, esperaria pela libertação, como parece ser pelo facto de não se ter ausentado do lugar habitual e das características da sua captura.
          Esta acção, planeada dentro do círculo familiar, procurou tranquilizar o fugitivo de que não iria ser preso e alguém seu conhecido e da sua confiança o iria buscar e proteger, acompanhado pelo irmão. Esta nova oportunidade, catapultada pela nova dinâmica política, aliada à saturação dos anos em fuga, (e das dificuldades financeiras), terá sido a força fulcral, aproveitada pela família, para o convencer ou combinarem a sua captura e resolução da sua situação.
         José Júlio da Costa ao ver António Maria Fernandes, quando este o foi “prender” terá exclamado, “obrigado Fernandes por me vires buscar que eu estava farto disto”.
          De facto o seu regresso a Lisboa fez-se sem qualquer das características que caracterizam um preso, falta de algemas, falta de prisão por policiais, limitou-se a acompanhar o captor, convencido em como não estava a ser preso e seria solto ou levado para outro lugar seguro como acreditava.

 

In: José Pereira Malveiro, José Júlio da Costa - O Famigerado Herói do Crime Grande da Estação do Rocio, Garvão, 2018.

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publicado por José Pereira às 21:15

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