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Cartaz das Festas Tradicionais de Garvão de 1951  

 

        Depois de dois anos sem festa, realizam-se dias 27, 28 e 29 de Agosto, (2022), as tradicionais festas de Garvão.  

          Desde a criação da Associação de Festas e Romarias de Garvão, á cerca de dez anos, que as festas têm sido dedicadas à Nossa Srª da Assumpção.

          Mas haverá tradição desta dedicação?

           A haver, estas seriam dedicadas ao culto do Espírito Santo.

           Não se encontra nos cartazes publicitários das festas de Garvão, anteriores à criação da mencionada Associação, qualquer referência a esta dedicação.

      De facto, o historial de uma grande parte das festas que se fazem em Portugal, têm precisamente o seu início nas festas do Espírito Santo.

       É Assim em Tomar onde os cestos de pães carregados à cabeça, destinam-se precisamente ao bodo comunitário e no Penedo em Sintra onde a tradição do Espírito Santo ainda se mantém viva, com a garreada do touro nas ruas para diversão da população e o bodo comunitário onde todos convivem.

          Assim como em Barrancos onde a aspiração da morte do touro na arena, depois de garreado, é justificado pela tradição das festas do Espírito Santo e a distribuição de carne pelos pobres e de um enorme banquete comunitário.

        E era assim, inclusivamente, em Garvão, conforme se pode observar no cartaz das festas de Garvão do ano de 1951, onde se pode ler que era “A FAVOR DOS POBRES DESTA LOCALIDADE”, certamente uma memória dos tempos em que era dedicada ao culto do Espírito Santo e aos pobres da vila, sem qualquer menção ou dedicada a qualquer figura religiosa.

      Estas festas do Espírito Santo, em Garvão, eram e ainda são nalgumas localidades, organizadas pela Irmandade do Sagrado Espírito Santo, de que existe registo na vila de Garvão, mantendo-se ainda a garraiada nas ruas da vila.

        Os bens e obrigações desta Irmandade foram posteriormente englobados na Santa Casa da Misericórdia de Garvão, sem, contudo, deixar de haver um protesto por parte dos irmãos da Irmandade, por ficarem sem posses de efectuarem as festas, conforme ficou registado no fólio 30 verso no “livro da Misericórdia e do Sagrado Espírito Santo.”*

          (…) fazendo suspender as obras que a Irmandade da ditta Caza trazia em reparos da Igreja com o fundamento de axar por satisfazer a duas festas do Espiritto Santto, e da obrigaçaõ do ditto Hospital (…)

         Assim a recuperação da tradição medieval, não só era reposta a verdade histórica, como iria enriquecer a vila de Garvão e proporcionar mais divulgação e consequentemente mais visitantes à terra.

 

* Este livro encontra-se na posse do autor deste blog, depois de irremediavelmente danificado pelas cheias de 1997, quando se encontrava na sede da Junta de Freguesia de Garvão.

publicado por José Pereira Malveiro às 21:39

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