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O Significado Pagão

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Bilhete postal ilustrado do século XX. Aguarela de Alfredo Moraes (1872-1971).

 

               O Dia da Espiga é comemorado em Portugal, (tradição com maior relevância no Centro e Sul do país), quarenta dias após a Páscoa cristã e da Pessach judaica, trata-se de uma festividade pagã cristianizada pela Igreja de Roma.

             É uma celebração tipicamente portuguesa, com reminiscências nos cultos pagãos dedicados à renovação da vegetação, depois dos meses das trevas do Inverno e celebração das colheitas. Os rituais pagãos, com especial enfoque nas culturas célticas e romanas, de celebração das primeiras colheitas, e pedido pela qualidade e quantidade destas, remontam à antiguidade.

             Costumavam-se observar pelo meio da Primavera, mais ou menos no actual Maio, e sempre tiveram grande implementação Popular. Com a chegada do Cristianismo, e  tendo em conta as datas das celebrações da Páscoa, acabou por em Portugal acabar por se colar ao cristianismo, até porque era um Feriado oficial em Portugal.

              Neste dia as pessoas vão ao campo colher espigas e flores silvestres para formarem um ramo, acredita-se que os ramos de vegetação colhidas nesse dia trazem felicidade, protecção, prosperidade e abundância para a família.

            Este ramo fica pendurado, de cabeça para baixo, atrás da porta de entrada ou da cozinha ou noutro lugar da habitação, até ao Dia da Espiga do ano seguinte, quando é substituído por um novo.

               A sua origem estará relacionada com os rituais pagãos, muito antes da era cristã. Rituais como os que estavam ligados em homenagem à deusa da Flora e à celebração do fim do Inverno e do início da Primavera, quando a natureza era implorada para que trouxesse a esperança de novas e fartas colheitas.

             No Dia da Espiga realizava-se a bênção dos primeiros frutos colhidos, ritual este adoptado posteriormente pela igreja cristã à semelhança de outras festas pagãs ancestrais, a Igreja cristianizou esta celebração que continuou a atravessar séculos, principalmente nos meios rurais e agrícolas.

            O Dia da Espiga foi feriado nacional até à sua abolição em 1952. Mais tarde, a Igreja Católica passou a celebrá-lo no sétimo Domingo de Páscoa. A contestação e a persistência da população em celebrar este dia com a ida ao campo e colher o ramo de espigas, fez com que muitos Conselhos adotaram esse dia como feriado municipal.

                 Para estas comunidades rurais, o dia da espiga era considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar, acreditava-se que ao meio-dia tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

               À simbologia das plantas que formam o ramo, associava-se a Espiga ao pão, o Malmequer à fortuna, a Papoila ao amor, a Oliveira â paz, o Alecrim à saúde e a Videira à alegria.

                Estas simbologias estariam associadas a várias crenças pré-cristãs com origens à antiguidade clássica e ao seu calendário festivo, nomeadamente a Ceres, Deusa romana da agricultura e do cereal, a quem era dedicado um festival, a Cereália, por esta altura do ano, Ceres é várias vezes representada com espigas na mão, assim como à Maia, em homenagem a Flora, Deusa das Flores, e a Maia, Deusa da Primavera, ainda hoje acarinhadas com pequenos gestos como as giestas que se põem à janela no primeiro dia do mês de Maio.

publicado por José Pereira Malveiro às 18:54

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