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Cruz Monte Zuzarte3.jpg Cruz Monte Zuzarte (2).jpg

 

 

No livro “Garvão – Herança Histórica” publicado em 2003, dava notícia da existência de uma cruz em pedra junto à Estrada Real do Algarve, na propriedade do Monte Zuzarte:

 

Os almocreves nas suas andanças pelas propriedades da região utilizavam também a estrada do Monte Zuzarte onde, ainda hoje, junto à estrada existe uma cruz, em pedra, de que se desconhece a origem, esta estrada seguia depois para as propriedades do vale de Mú e São Barão.

 

Numa visita recentemente ao local (março 2022), notou-se que a mesma estava tombada no terreno e com sinais de gradagem por cima, como se comprova pelas fotografias ilustradas, foi recolhida, pelo autor e guardada junto ao outro espólio arqueológico descoberto em Garvão.

 

Os residentes nos montes próximos, mesmo os mais idosos nos anos setenta do século passado, desconheciam a origem deste monólito, nem se encontra registo sobre esta cruz de pedra, pelo menos nos documentos da Paróquia de Garvão, consultados até agora.

 

Estamos assim perante um monumento, junto à antiga Estrada Real do Algarve, como se encontra em muitas outras estradas do país, embora este, pela sua forma e tamanho, seja bastante diferente daqueles que nos habituamos a ver noutros lugares.

 

São geralmente sustentadas por um amontoado de pedras, ou cravadas no próprio terreno, como no caso desta. Na maior parte dos casos, marcam locais de acontecimentos individuais ou públicos, quer históricos, quer religiosos.

 

O aparecimento deste tipo de Cruz de Pedra, remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Procurava-se igualmente cristianizar os lugares e vestígios doutras crenças.

 

No local onde se cometeu um pecado, onde se adorou um ídolo pagão, onde aconteceu uma tragédia, uma morte, um assalto, uma promessa, um agradecimento ou remorso, estas cruzes sagram locais, dominam e protegem os campos, recordam igualmente epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e onde são depositadas algumas flores até que esquecidas pelas novas gerações ficam abandonadas no meio do campo e cobertas de mato.

 

Constituem óptimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas do povo, nas várias épocas da sua história.

publicado por José Pereira Malveiro às 18:02

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