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E o Culto do Espírito Santo

 

          As cavalhadas, eram corridas de cavalos, onde se apresentavam no local designado para as disputas, com vestimentas de gala e à moda antiga. Outrora, no local do certame, apresentava-se o cavaleiro em trajes vistosos no seu garboso cavalo, acompanhado por um pajem, também vestido de gala, embora de modo diferente e a pé, segurando o cavalo pelas rédeas ou freio.

          Estes torneios, eram feitos com o fim de mostrarem a destreza dos melhores cavaleiros das redondezas. Corriam dois a dois, a par, em alta velocidade para uma meta. Vindos a correr nos seus cavalos, tinham de espetar uma lança num frango ou galinha vivos, os quais estavam dependurados numa corda atada a dois paus, distanciados um do outro de 5 a 6 metros.

          Com o andar dos tempos, este costume, considerado demasiado bárbaro, foi desaparecendo e substituído por outro menos chocante. Em vez dos animais vivos, é colocada uma argola que constitui o alvo e desafio à perícia do cavaleiro, pois se este, vindo a correr, não enfiar a lança na argola, fica desclassificado e desfeiteado perante o povo, que muito gosta desta manifestação.

          Como recompensa do êxito, o vencedor recebe uma grande salva de palmas e um animal vivo (galinha, frango, etc,...). Actualmente, esta actividade ainda é mantida numa ou outra localidade, mas de um modo muito mais simples.

          Até há pouco tempo, ainda se faziam as cavalhadas na freguesia de Gomes Aires”. (in: Monografia da Vila de Almodôvar, António Júlio Gonçalves, Associação Cultural e Desportiva da Juventude Almodovarense, 2000).

          Tempos houve em que os jogos eram mais elaborados, realizando-se inclusivamente nas ruas das vilas, e em vez das farpas era utilizado um pau para enfiar nas argolas, quebrando por vezes, (o desajeitado cavaleiro), as quartas de água, que estavam igualmente penduradas na corda.

          Por outro lado, as reminiscências que nos chegam doutros locais, nomeadamente os Açores e Brasil, locais onde a presença portuguesa impôs os usos e costumes da metrópole, estes festejos evocam uma época em que se desenvolviam em torno das lutas entre cristãos e mouros.

          De facto, se no continente há já muito que se perdeu a origem destas festas, e a sua relação com as festividades religiosas que se celebravam no princípio da nacionalidade. Em cenários mais isolados e imunes às influências externas ainda se assiste à ligação destas festas ao culto do Espírito Santo, (assim como a maioria dos festejos tradicionais das aldeias e vilas têm as suas origens nas confrarias do Espírito Santo local).

          Igualmente a passagem e a aproximação dos cavaleiros, nomeadamente as voltas em torno da igreja local, evocando os dons do Espírito Santo, e do local do “torneio”, era anunciada pelos corneteiros comandados por um “rei”. Seriam igualmente acompanhados por um mordomo e as cores nos trajes usados pelos cavaleiros seriam predominantemente as cores do Espírito Santo, (o branco e o vermelho).

          “Em Vildemoinhos, perto de Viseu, mantêm-se como desfile de cavaleiros vestidos de fato escuro e montando cavalos ajaezados. Resultam, segundo a tradição, de uma promessa feita a São João Baptista pelos moleiros, no caso de conseguirem sentença favorável de água para os seus moinhos, havendo quem pense que têm influência das Cavalhadas da Ribeira Seca. A primeira destas romagens à capela do santo, com os cavaleiros vestindo de negro, como os nobres, e com os cavalos ajaezados, terá sido em 1652. No entanto, no século XX passaram a incluir carros alegóricos, bandas de música, ranchos folclóricos e muitos outros elementos que não faziam parte da tradição.” (in: Cavalhadas em Vildemoinhos)

publicado por José Pereira Malveiro às 17:02

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