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Out 09

Garvão eras um jardim

Em tempos que já lá vão

O gado dava o dinheiro

E a moagem dava o pão

 

O gado deixou de dar

E a moagem levou fim

E em tempos que já lá vão

Garvão eras um jardim

 

Porque será que os nossos conterrâneos passados tiveram a necessidade de fazer/cantar esta moda?

Teria Garvão em alguma altura da sua história recente parecido um jardim? Obviamente jardim está aqui no sentido metafórico, na medida em que implica um período de algum bem-estar.

Reporta claramente para um período em que a população de Garvão se sentia bem, talvez um período de trabalho e que pela altura da moda, não só já não se sentia bem, como sentia, inclusivamente, saudades desse período.

 

De facto se olharmos bem para as décadas de cinquenta e sessenta do século passado, constatamos que para além do trabalho agrícola e do gado que, como canta a moda,  deveria de prover, na altura, com rendimentos aceitáveis, e proporciona trabalho, não só temporário nas mondas, ceifas, debulha, apanha da azeitona e outros produtos, assim como trabalho permanente em cuidadores de gado, vaqueiros, porcariços, pastores etc, existia, também,  na vila unidades fabris que garantiam trabalho anual para uma boa parte da população.

 

Por essa altura havia a alta e a baixa moagem da Estação de Garvão, pelo menos duas fabricas de cortiça, o lagar no Largo da Amoreira (nessa altura chamado do Lagar), o lagar na moagem da estação, a fábrica dos pirolitos e adegas de vinho, estas unidades fabris davam emprego a várias centenas de pessoas que naturalmente permitiam a manutenção do comércio local e das lojas como a do Sr Sabino, a do Sr Pina, a do Sr José Cunha, a do Sr Joaquim Martins entre outras.

 

A questão a saber é se, tendo em consideração uma certa pujança fabril em Garvão num passado relativamente recente, se numa realidade completamente diferente, como a actual, será possível implementar mecanismos de desenvolvimento local, sejam eles de iniciativa privada ou colectiva, Associações e órgãos autárquicos.

 

publicado por José Pereira Malveiro às 17:05

DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Se por um lado foi o surgir da Revolução Industrial, com a introdução de novas tecnologias de produção, nomeadamente a maquina a vapor, que permitiu a adopção de novas e melhores técnicas de fabricação industriais.
Foi também esse progresso, que permitiu a invasão do mercado local, por produtos fabricados nos grandes centros industriais do país, que se tinham vindo a desenvolver desde o século XVIII.
Assim aquilo a que se convencionou chamar a industrialização geral do país, foi feito ás custas da pequena indústria provincial.

A penetração do comércio local por produtos mais baratos e de uma enorme variedade, produzida nos grandes centros industriais do país, foi fatal para uma indústria rural, ainda em formação e mal consolidada para poder fazer frente á concorrência exterior.
A disputa pelo comércio local não se fazia sentir só na colocação do produto final, já fabricado e de qualidade ou gostos discutíveis, mas também na obtenção das matérias-primas essenciais á fabricação desses produtos.
Ora a industria local até aí sozinha na obtenção de matérias-primas para a sua laboração, e para a colocação dos seus produtos, ressentiu-se, e de uma maneira irrecuperável para a indústria local e regional.
A expansão da indústria nacional nos grandes centros urbanos do país, fez-se á custa da pequena indústria regional, mais frágil, desajustada tecnologicamente e de fácil concorrência interna por parte dos industriais urbanos.
Embora, empresarialmente e tecnologicamente mais modernos, do que os industriais locais, os industriais urbanos não tinham capacidade para concorrer na colocação dos seus produtos no mercado estrangeiro, onde países mais avançados e desenvolvidos mantinham a liderança e hegemonia industrial e comercial.
Viraram então, os industriais urbanos, a sua atenção e produção para um mercado de mais fácil penetração, como o mercado interno, com as enormes perturbações, para a indústria da província, que daí adviriam.
A grande industria urbana beneficiou ainda e também das profundas alterações que se vinham a desenvolver no país, se por um lado se assistiu á modernização, com a expansão da rede viária e construção da rede ferroviária ao interior do país, que facilitou a infiltração e escoamento dos seus produtos. Beneficiou também de uma maior consciência empresarial, nomeadamente modos de pagamento mais ou menos dilatados e acesso ao crédito, (enquanto que nos mercados regionais era frequente o pagamento de serviços com a “maquia”, que correspondia ao pagamento com uma parte do produto). Beneficiou também da protecção por parte do governo, que promulgou leis na defesa do mercado interno, (e diga-se que protecção do mercado interno, não é protecção do mercado regional, mas sim protecção contra as importações de produtos estrangeiros),
A conjuntura Nacional e Internacional, a livre concorrência dos produtos, a introdução de novas tecnologias e praticas comerciais e melhores acessos, levou os empresários Alentejanos que nos primórdios da revolução industrial nacional, tinham mostrado vontade em investir na nova era, a um patamar impossível de acompanhar.
José Pereira Malveiro a 6 de Novembro de 2009 às 13:07

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