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Mai 23

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     Segundo informação de Tiago Maia, da povoação de Malta, (freguesia de Malta e Canidelo, Concelho de Vila do Conde), corre a história que José Júlio da Costa esteve, durante algum tempo, escondido numa casa na localidade de Malta.

     José Júlio da Costa, no seguimento da sua prisão depois de ter cometido o atentado que vitimou o presidente da república Sidónio Pais, viria a ser solto pelos autores da “noite Sangrenta” em 19 de Outubro de 1921.[1]

     Sobre o local ou locais para onde foi levado e onde esteve escondido, têm surgido várias informações, nomeadamente Rocha Martins nas páginas dos seus Fantoches onde dá conta que José Júlio da Costa foi primeiramente levado para Nine, perto de Braga, e posteriormente terá ficado escondido noutras localidades no Norte do País.[2]

     Surge agora, como já se afirmou, a informação de que esteve igualmente escondido numa casa da povoação de Malta no Concelho de Vila do Conde e segundo Tiago Maia:

 

     A casa em questão é cá conhecida como a Casa do Moreira da Quinta, que no início do séc. passado pertencia a José Moreira da Quinta. Atualmente pertence a descendentes deste. Já falei com eles, mas o que sabem é apenas que o assassino de Sidónio Pais esteve lá escondido num saguão[3]  ou numa mina de água que já não existe.

     Provavelmente porque o tal José Moreira da Quinta simpatizava com a causa. Já falei com várias pessoas de mais idade na freguesia, incluindo o meu avô, mas apenas contam a mesma história.

     No romance, Psiché, do escritor Fernando Campos que passou a sua infância nesta freguesia, umas personagens do livro passam uns dias nesta Casa do Moreira da Quinta e numa conversa mencionam a mesma história que aqui transcrevo. Este livro é a história romanceada do avô materno do autor. Também já falei com a filha de Fernando Campos, mas também não sabe de mais nada.

    "Enquanto se pôs a executar uma valsa de Chopin ouvia o cunhado a dizer:

    - No saguão desta casa se escondeu por vários dias o assassino de Sidónio Pais. Dizem os que na altura passavam na estrada verem um homem embuçado recolher-se, vindo de estranho vagabundear noturno, e, antes de entrar, virar-se para a igreja ameaçando-a com o punho fechado e os olhos a fuzilarem cóleras."

     A casa fica na Rua de Igreja, n.º 126, Malta, Vila do Conde.

     Envio também em anexo fotos da casa. Antigamente era revestida a azulejo verde, mas hoje em dia expuseram a pedra durante o último restauro. As fotos antigas são de procissões e vê-se a casa ao fundo.

 

[1] A “Noite Sangrenta”, episódio ocorrido entre o dia 19 e a madrugada de 20 outubro de 1921, encheu de horror a opinião pública nacional e internacional e marcou o futuro da I República de forma irreversível, nesse dia um grupo de sublevados recolhe numa camioneta e são assassinados, vários heróis do 5 de Outubro de 1910, incluindo Carlos da Maia e Machado Santos. Uma das primeiras preocupações dos golpistas foi a libertação de José Júlio da Costa nesse mesmo dia, que se encontrava detido no Hospital Miguel Bombarda, por um grupo de 300 civis armados que, segundo informações da época, ter-se-ão dirigido ao referido hospital e o levado para o Centro Republicano António Maria Baptista, onde lhe prestaram homenagem antes de seguir para lugar incerto no Norte do país

[2] José Pereira Malveiro. O Famigerado Herói do crime Grande da Estação do Rocio, 2018.

[3] Saguão - Espaço aberto entre duas alas do mesmo edifício para permitir a claridade e ventilação, geralmente sem saída.

publicado por José Pereira Malveiro às 11:09

22
Mai 23

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PUBLICAÇÃO DO LIVRO
Garvonesa - Reencontro com a História
de: Ricardo Guerreiro

 

     Em 12 de Maio, por ocasião da Feira de Garvão, concelho de Ourique, teve lugar o lançamento do livro “Garvonesa - Reencontro com uma Raça Histórica”, da autoria de Ricardo Guerreiro.
     Este livro é o culminar de um trabalho desenvolvido por Ricardo Guerreiro ao longo de 10 anos com a raça Garvonesa.
     Nele o autor procura mostrar uma “coleção de pequenas narrativas visuais acompanhadas de legendas curtas em que o leitor é guiado por alguns enredos simples que desvendam comportamentos, peculiaridades e ligações destes animais com o meio que habitam”.
     Este livro tem o patrocínio da Câmara Municipal de Ourique e conta com o apoio da Associação de Agricultores do campo Branco, da EDIA e da Ruralbit.

 

Mais informação em:

Ricardo fotografou a raça garvonesa com a dignidade de um animal selvagem | Reportagem | PÚBLICO (publico.pt)

 

Fotogaleria: As Garvonesas, segundo Ricardo Guerreiro (nationalgeographic.pt)

 

Ricardo Guerreiro lança obra dedicada à raça garvonesa - Diário do Alentejo (diariodoalentejo.pt)

 

Pecuária.pt (pecuaria.pt)

publicado por José Pereira Malveiro às 10:57

11
Mai 23

   

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         Em 1908, no Archeologo Português, José leite de Vasconcellos, (1) menciona um busto em mármore, possivelmente de Agripina Menor, descoberto nos Franciscos e guardado no Museu Regional Rainha Dona Leonor, em Beja.

 

Na freguesia de Garvão, concelho de Ourique, na margem esquerda da ribeira dos franciscos, fica a herdade do mesmo nome, onde estive em Março de 1909.

Em volta do monte há grande quantidade de tégulas, de ladrilhos, de imbrices, em fragmentos, e alicerces de um edifício antigo que já estava soterrado, mas que tem sido várias vezes excavado pelos sonhadores de tesouros, à busca de riquezas. Disseram-me que apareceu lá um busto marmóreo que está hoje no Museu de Beja.

Haveria aqui uma povoação romana, ou simples villa? Só com excavações se poderá responder à pergunta. (2)

 

         Pela maneira como estão tratadas as pregas do vestuário e a comparação das dobras do manto, sobretudo as dobras no ombro esquerdo, leva a tecer comparações com os bustos conhecidos de Agripina Menor, por estas características e pela forma do busto, a peça pode datar-se da época de Cláudio(3).

        O busto está vestido com uma túnica e um manto caído sobre os ombros, as dobras das roupas superior e inferior são separadas umas das outras por furos profundos e a espécie de cunha na parte inferior do busto, servia para fixá-lo numa base.

1- VASCONCELLOS, José Leite. (1908). Antigualhas
2- Restos Romanos. O Archeologo Português, XIII, 1-6, Lisboa, p. 351-352.
3- Governou de 24 EC até 54 EC

 

     Na revista Cira-Arqueologia do Museu Municipal Vila Franca de Xira, surge-nos um artigo de Lídia Fernandes, (1) Arqueóloga, Museu da Cidade de Lisboa.:

     Também de Beja surge outra peça extremamente curiosa. Trata-se possivelmente de um busto encontrado em Garvão (Ourique) e encontra-se atualmente no Museu Regional de Beja (SOUZA, 1990, p. 14, nº 13) (Fig. 9).

     Esta peça conserva, talhado no tardoz, alguns pormenores do que poderá ter sido um capitel corintizante. Infelizmente não nos foi possível visualizar o exemplar, baseando-se o presente comentário na simples observação das imagens publicadas na bibliografia disponível sobre a peça.

     Desconhecemos, assim, se é possível o atual busto ter sido talhado sobre um capitel (14) ainda que, independentemente desta interpretação, o facto de esse lado da peça apresentar um motivo liriforme do tipo “duplo S”, leva-nos a aproximá-lo dos capitéis corintizantes que temos vindo a analisar. Este motivo liriforme é composto por duas hastes vegetalistas que se elevam verticalmente da base e que se enrolam na parte superior enquadrando duas rosetas. Estas parecem ter sete pétalas, de terminação circular e com botão central liso relevado.

     Outra haste enrola-se para o exterior, talvez acompanhando o alongamento do canto do ábaco, caso se tratasse originalmente de um capitel. No meio do kalathos três palmetas sobrepõem-se, ainda que a primeira se integre nas da imma folia. O busto é datado por Vasco de Souza da época de Cláudio (SOUZA, 1985, p. 97; 1990, p. 14, nº 13), apontando semelhanças estilísticas com um busto de Agripina Menor proveniente de Milreu.

     Parece-nos, no entanto, que tendo o busto sido talhado aproveitando o bloco do capitel, aquele será posterior a este. Datamos este exemplar corintizante do século II, ou de finais do século I, ainda que não consigamos precisar mais esta datação dado o desgaste da superfície e a inerente dificuldade em analisar os pormenores decorativos.

     Deste modo, o busto será posterior ou coevo dos finais do século I ou da segunda centúria, independentemente de se tratar ou não de um capitel reaproveitado, uma vez que a decoração que se observa se aproxima decorativamente daquele tipo de peças.

 

(1) Arqueóloga da Divisão de Museus e Palácios da Câmara Municipal de Lisboa. Responsável científica da intervenção arqueológica do Teatro Romano de Lisboa. Mestre em Histó[1]ria de Arte. 2 Gostaríamos d

 

(14) Não sabemos qual a largura da peça e por esse motivo é-nos impossível saber se de facto seria possível talhar o busto aproveitando um bloco onde, anteriormente se havia talhado um capitel. Vasco de Souza diz em relação a esta decoração vegetal do busto feminino sem cabeça que “O apoio com decoração vegetal parece indicar tratar-se de um retrato de mulher falecida” (1985, p. 97)

 

IN: Cira-Arqueologia I – ATAS MESA REDONDA “DE OLISIPO A IERABRIGA” nº 1. Junho 2012. Museu Municipal Vila Franca de Xira. P. 137.

 

publicado por José Pereira Malveiro às 12:17

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