21
Mar 22

(575) CELINA DA PIEDADE - Ceifeira ( tradicional Alentejo ) - YouTube

 

Oiçam CELINA DA PIEDADE.

          Agora que se está a aproximar a Feira de Garvão e com um pouco de sorte, teremos, em Agosto, as festas, talvez seja boa altura para refletir sobre o tipo de cultura que os responsáveis por estes eventos querem transmitir à população.

          Pelo menos na música difundida pelos autofalantes instalados nas ruas da vila.

         Iremos continuar a assistir a música pimba?

          Iremos continuar a ouvir música ordinária?

          Iremos continuar a submeter o resto da população a estas incongruências ignorantes?

          Iremos continuar a infestar os nossos jovens com influências degradantes?

          Como se não houvesse música ligeira de qualidade no Alentejo ou mesmo em Portugal.

          Que tipo de cultura é que queremos transmitir?

          Temos a responsabilidade de transmitir às futuras gerações a nossa cultura, a cultura dos seus pais e avôs e privilegiar o enraizamento cultural como parte de pertença de um todo.  

          Estes eventos são uma boa ferramenta de comunicação social, proporcionam um bom ambiente, incrementam a interação e as relações interpessoais, mas temos de ter cuidado com a nossa perceção do que é digno e cultural e com aquilo que se apresenta.

          Muitos organizadores enganam-se ao segmentar o público-alvo apenas por aquilo que presumem ou pensam. Há, no entanto, uma clara distinção entre a cultura que se apresenta e a responsabilidade cultural dos agentes envolvidos. Para não falar já das várias camadas da população e das particularidades inerentes a cada segmento, sejam elas geracionais ou culturais.

publicado por José Pereira Malveiro às 13:41

18
Mar 22

Cruz Monte Zuzarte3.jpg Cruz Monte Zuzarte (2).jpg

 

 

No livro “Garvão – Herança Histórica” publicado em 2003, dava notícia da existência de uma cruz em pedra junto à Estrada Real do Algarve, na propriedade do Monte Zuzarte:

 

Os almocreves nas suas andanças pelas propriedades da região utilizavam também a estrada do Monte Zuzarte onde, ainda hoje, junto à estrada existe uma cruz, em pedra, de que se desconhece a origem, esta estrada seguia depois para as propriedades do vale de Mú e São Barão.

 

Numa visita recentemente ao local (março 2022), notou-se que a mesma estava tombada no terreno e com sinais de gradagem por cima, como se comprova pelas fotografias ilustradas, foi recolhida, pelo autor e guardada junto ao outro espólio arqueológico descoberto em Garvão.

 

Os residentes nos montes próximos, mesmo os mais idosos nos anos setenta do século passado, desconheciam a origem deste monólito, nem se encontra registo sobre esta cruz de pedra, pelo menos nos documentos da Paróquia de Garvão, consultados até agora.

 

Estamos assim perante um monumento, junto à antiga Estrada Real do Algarve, como se encontra em muitas outras estradas do país, embora este, pela sua forma e tamanho, seja bastante diferente daqueles que nos habituamos a ver noutros lugares.

 

São geralmente sustentadas por um amontoado de pedras, ou cravadas no próprio terreno, como no caso desta. Na maior parte dos casos, marcam locais de acontecimentos individuais ou públicos, quer históricos, quer religiosos.

 

O aparecimento deste tipo de Cruz de Pedra, remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Procurava-se igualmente cristianizar os lugares e vestígios doutras crenças.

 

No local onde se cometeu um pecado, onde se adorou um ídolo pagão, onde aconteceu uma tragédia, uma morte, um assalto, uma promessa, um agradecimento ou remorso, estas cruzes sagram locais, dominam e protegem os campos, recordam igualmente epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e onde são depositadas algumas flores até que esquecidas pelas novas gerações ficam abandonadas no meio do campo e cobertas de mato.

 

Constituem óptimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas do povo, nas várias épocas da sua história.

publicado por José Pereira Malveiro às 18:02

15
Mar 22

Centro HERCULES.png

Programa HERCULES da Universidade de Évora

IN: National Geographic, Agosto de 2010

 

A edição de Agosto da National Geographic Portugal conta com uma reportagem dedicada aos projectos do Centro HERCULES (Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda) da Universidade de Évora. O trabalho multidisciplinar do mais recente centro de investigação da universidade e dos seus investigadores foi o mote para a peça "Arte antiga, ciência nova", que destaca a utilização da tecnologia de ponta na investigação e intervenção no património.

São oito páginas dedicadas ao trabalho de análise, por uma câmara de reflectografia de infravermelhos, dos Painéis de São Vicente, presentes no Museu de Arte Antiga, aos trabalhos de recolha de amostras de algumas das antigas pinturas murais do Mosteiro da Batalha, à investigação que está a ser desenvolvida nas pinturas murais de uma ermida no Alto Alentejo e ao projecto de estudo de fragmentos da Idade do Ferro, recolhidos num dos mais importantes sítios arqueológicos deste período, em Garvão, concelho de Ourique.

A iniciativa parte do Centro HERCULES, acrónimo para Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda, uma estrutura da Universidade de Évora, parceira do instituto dos Museus e da Conservação, que procura juntar tecnologia de ponta e uma equipa multidisciplinar para investigar e intervir no património, muitas vezes in situ, reescrevendo metodologias e apresendo resultados surpreendentes.

Constituído por uma equipa de dez especialistas e quatro alunos de doutoramento, o HERCULES está dotado de equipamento científico de topo, que inclui um microscópio electrónico de pressão variável com uma capacidade de ampliação de 300 mil vezes, permitindo a análise de constituição química e elementar de objectos de grandes dimensões. O centro disponibiliza a historiadores e arqueólogos dispositivos pouco comuns nas instituições nacionais. Sinal da dinâmica que o anima, poucos meses após o arranque das actividades, tornado possível pelo apoio financeiro do mecanismo EEA Grants, são mais de uma dezena os projectos em curso, cujo orçamento ultrapassa já 1,5 milhões de euros.

No laboratório, de jeans e botas de montanha, contrariando a ideia feita do cientista descabelado, o geólogo José Mirão, um dos responsáveis do HERCULES, assoma à porta com um estranho objecto nas mãos: é um fragmento de cerâmica da Idade do Ferro recolhido em Garvão, no concelho de Ourique, num dos mais importantes sítios arqueológicos deste período conhecidos na península Ibérica. “Têm sido descobertos neste local pratos com uma forma específica de construção de base, que utiliza um tipo de barro diferente, menos gordo”, explica. “Analisaremos esta amostra para identificar a composição de argilas e a relação que possa existir com os demais achados. Talvez nos permita identificar a origem desta particularidade e nos dê outra perspectiva sobre o mundo naquela época e a relação da região com o resto da península e do Mediterrâneo. “Através da análise química, é possível destrinçar o processo de fabrico e a origem das matérias-primas. Esteticamente, identificaram-se já as influências estilísticas, nomeadamente celtas, mas tamb+em cartaginesas e fenícias. Mas falta a prova dos nove – a química.

A descoberta deste sítio arqueológico em Garvão remonta à década de 1980. Obras de saneamento básico no local revelaram então múltiplos objectos de olaria. Os trabalhos foram suspensos e um arqueólogo foi chamado, identificando o local como um depósito votivo. Seria um depósito onde se arrumariam as oferendas a um templo que até hoje permanece desconhecido, provavelmente nas imediações. Aliás, quem visista o local encontra apenas um barracão que protege o sítio da escavação.

Para além do contributo para estudar os artefactos, o HERCULES tem outro desafio pela frente: identificar a necrópole perdida. Em breve, será utilizado um georradar, equipamento raro em Portugal que, sem necessidade de escavações prévias, sondará o solo em busca de edificções soterradas. Para já, porém, o trabalho de seriação do espólio setá em curso, realizado no Centro  Arqueológico Caetano de Mello Beirão, que funciona na fria cave do cineteatro de Ourique. Esse esforço tem sido orientado por Françoise Mayet, investigadora francesa que, aos 75 anos, vem nos tempos livres a Portugal, no seu próprio carro, tala relevância e paixão por este património. O trabalho  arqueológico, definitivamente, deixou de estar restrito ao campo.

publicado por José Pereira Malveiro às 15:24

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