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Mai 21

Da Fundação Calouste Gulbenkian (1958-2002)

Bibliotecas Itinerantes da Calouste Gulbenkian[1].jpg

Biblioteca/Carrinha Citrôen HY 

 

             As Bibliotecas Itinerantes da Calouste Gulbenkian fazem parte do imaginário de diversas gerações, possibilitavam a leitura de livros para aqueles que não tinham fácil acesso a estes, ou promoviam a leitura junto das Escolas um pouco por todo o País.

           A Fundação Calouste Gulbenkian criou este serviço em 1958 segundo uma ideia de Branquinho da Fonseca, que tinha como objectivos “promover e desenvolver o gosto pela leitura e elevar o nível cultural dos cidadãos, assentando a sua prática no princípio do livre acesso às estantes, empréstimo domiciliário e gratuitidade do serviço.” Isto chegava um pouco a todo o território nacional, com especial incidência nas Aldeias ou locais em que não existiam Bibliotecas Municipais ou não tinham fácil acesso a elas.

          Na década de 70 eram muitas as vozes na Fundação que eram contra este serviço, devido aos seus poucos lucros e as muitas despesas que acarretava este tipo de Bibliotecas, mas com o 25 de Abril as coisas continuaram na mesma e quando Vergílio Ferreira assumiu o cargo de director do programa das bibliotecas itinerantes, voltou a ganhar uma nova vida.

          De 1981 a 1996 contribuiu para que se promovesse cada vez mais uma animação cultural que devia estar ao alcance de todos, com leitura de contos, exposições ou encontros com autores.

          A carrinha era toda ela carismática, o modelo Citrôen HY era o escolhido pela fundação para promover as Bibliotecas Itinerantes, com duas portas na traseira que abriam de par-em-par para além de uma parte lateral que abria para cima de modo a facilitar o acesso e a visibilidade desses livros que nos ajudavam a viajar e a conhecer outros mundos. As crianças podiam requisitar alguns livros infantis, contos de fados ou histórias fantásticas que ajudaram a promover a leitura em muitos jovens em formação.

         Foi sem dúvida um excelente serviço para aqueles que vivendo em locais isolados, não tinham acesso aos livros e à leitura, e por ter existido algo do género nas vilas e aldeias ajudou tantos a ganharem o gosto pelo mundo maravilhoso dos livros.

           Para o início efectivo das bibliotecas móveis em Portugal é apontado a data de 1953, referente ao início dos serviços de uma biblioteca-circulante, implementada por Branquinho da Fonseca, no Museu-Biblioteca do Conde Castro Guimarães, em Cascais, onde na altura exercia funções de conservador-bibliotecário. Esse carro-biblioteca deslocava-se até “às associações, escolas e lugares centrais das povoações, proporcionando, através do empréstimo domiciliário, o acesso ao livro pela população.”. Era de carácter gratuito e o acesso às estantes era livre.

              Em 1958 a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) criou, por sugestão do mesmo Branquinho da Fonseca, um serviço similar ao de Cascais, mas que almejava abranger todo o território nacional, incluindo mesmo os arquipélagos. Surgiu assim o Serviço de Bibliotecas Itinerantes (SBI), que B. da Fonseca dirigiu até à sua morte (1974). Este tinha como objectivos “promover e desenvolver o gosto pela leitura e elevar o nível cultural dos cidadãos, assentando a sua prática no princípio do livre acesso às estantes, empréstimo domiciliário e gratuitidade do serviço.” Afigurava-se como tal um serviço de leitura pública moderna.

              O público a quem era mais dirigido o serviço era sobretudo aquele que era mais parco no acesso à educação e cultura, habitando nas regiões mas desfavorecidas. Estendendo-se a todas as faixas etárias. Todavia será no público mais jovem que este serviço terá melhor acolhimento, apesar de se pretender contemplar de modo símile todas as idades.

publicado por José Pereira Malveiro às 21:12

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