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A Gripe Espanhola ou a Influenza

          Em 4 de Outubro de 1918, o jornal a Capital, de Lisboa, noticia pela primeira vez, a pandemia que atingia Lisboa e o resto do país.

                               A actual epidemia
             e a falta de providencias das autoridades
                 sanitárias que estudam o micróbio.
A epidemia que está grassando em Lisboa atacou, pode dizer-se sem exagero, metade da população da capital. Veio de repente esse ataque? Não. Há um mês aproximadamente que o nosso colega Diário de Notícias vinha noticiando a marcha da influenza pneumónica nas terras da província. A epidemia foi alastrando, alastrando, aproximando-se pouco e pouco de Lisboa, onde começaram a afluir centenares, milhares mesmo de pessoas, vindas dos locais epidemiados e que, portanto, vinham contagiadas. Essas pessoas ou eram habitantes da capital, que estavam passando o Verão fora, ou dos arredores que fugiam para aqui, a fim de evitarem a doença. O que faziam, no entanto, as autoridade sanitárias da nossa terra, a quem incumbia tomar immediatas providencias? Contentavam-se uns em estudar se era o micróbio de Pfeiffer o causador da doença, outros se era essa causada pelo mesmo micróbio que já no tempo de Artaxeires III, quando da invasão do Egypto, tantas baixas fizera nos exércitos d’esse rei.

         De facto, a pandemia atacou de tal maneira a capital e as províncias que nenhum governo de qualquer país, por mais desenvolvido que fosse, estava em condições de travar o avanço deste vírus mortal, cujas estimativas apontam para quase 100 milhões de mortes em todo o planeta, correspondendo a cerca de 5% da população da época.
           Conhecida por gripe espanhola devido ao facto de terem sido os meios de comunicação espanhóis os primeiros a divulgarem essa pandemia, já que os outros países da Europa estavam em guerra e a divulgação de notícias estava restringida ao que os governos autorizavam, os efeitos desta gripe foram devastadores, os seus efeitos chegavam de forma violenta, sem darem tempo para o devido tratamento, as pessoas que se sentiam mal pela manhã, era certo que morriam na parte da tarde.
         Os doentes começavam por apresentar febre alta, dores de cabeça, dores musculares, fadiga, náuseas, vómitos e diarreias, dor de garganta e tosse com sangue e pus, sangramento pelo nariz ou pelos ouvidos e falta de ar que provocava uma cor azulada devido à falta de oxigênio.
         Nesta altura ainda não havia qualquer tipo de antibióticos, a penicilina seria descoberta dez anos depois, e os tratamentos eram à base de chás, infusões, sangramentos e mezinhas, com pouco ou nenhum efeito no tratamento desta doença, numa população supersticiosa e descrente da medicina ou dos tratamentos médicos, preferiam o apelo religioso e as várias iniciativas promovidas pela igreja, para a cura dos infetados e fim da epidemia, cuja concentração de pessoas em locais fechados como os claustros da igrejas, só veio facilitar a propagação do vírus, como aconteceu em Zamora onde o padre local, à revelia das ordens do governo, promoveu uma novena, tendo sido Zamora uma das cidades europeias onde mais se sentiu os efeitos desta epidemia com milhares de mortos.
          Em Garvão, não existe dados sobre os efeitos desta gripe na população, (os dados que existem referem-se ao país em geral). A tradição oral local reporta elevado número de mortos e para a existência de um cemitério entre o Furadouro e o Moinho, consubstanciado tanto pelas cartas cadastrais, como pelo pagamento da renda desse espaço pelo arrendatário até à década de 1980.
        As poucas intervenções arqueológicas, junto ao cemitério velho, apontam, por esta altura, para enterramentos fora do local de inumação habitual dos corpos e enterrados a pouca profundidade, lado a lado, junto à muralha da cerca defensiva do primitivo núcleo urbano da vila de Garvão, num dos locais sondados.
          De acordo com as notícias da época, em vários centros urbanos não havia madeira para tantos caixões, embora o uso da mortalha ainda fosse comum nos enterramentos nos meios rurais, nem lugares para sepultar tanta gente, assim como a falta de coveiros, porque muitos deles após tantos enterros. também ficaram doentes e morreram.

publicado por José Pereira Malveiro às 11:28

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