27
Mar 20

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80 ANOS DEPOIS, REEDITA-SE O LIVRO:

SUL e SUESTE - Prosas de Além-Tejo.

            Publicado em 1940, por Joaquim da Costa, natural de Garvão, cuja infância se dividia entre a casa familiar na Rua Nova e as propriedades agricolas da família, Cachorros e Monchica, cedo enveredou pela vida académica, formando-se em advocacia.
           Neste livro, Joaquim da Costa, conta memórias da sua infância, passadas na vila de Garvão e nas herdades da família. 
           Vamos aqui encontrar detalhes dos acontecimentos da época que tanto marcaram a sua vida familiar e da região. Não só os acontecimentos políticos da época, mas igualmente os detalhes na descrição dos trabalhos e trabalhadores agricolas e ferroviários.           

           Lembranças dum tempo que nos precedeu, de avós e pais, de tradições e costumes, de recordações, de histórias e Memórias, como elo importante na preservação e da recordação do passado.

CLICK para mais detalhes.

 

publicado por José Pereira Malveiro às 09:27

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JORNAL DE GARVÃO Nº 26 - JG26 (1).pdf

 

 

publicado por José Pereira Malveiro às 09:00

26
Mar 20

TEMOS QUE ESTAR NA PRIMERIA LINHA DO COMBATE
Email do Sr. Prof. Cat. Fernando Carvalho Rodrigues

         

            É uma opinião publica do "pai" do único satélite que Portugal conseguiu lançar para o espaço e, parece, que ainda por lá anda... Porém a sua opinião não é suportada no seu conhecimento cosmonáutico, mas sim, como ele refere, no passado histórico de prevenção sobre guerra química em Portugal, com instituições, espaços hospitalares e pessoas preparadas e dedicadas ao assunto e a sua experiência de alguns anos na NATO.

          Estranha-se como é que alguém dos comandos militares, mesmo sem o poder politico os consultar, ainda não lhe fizeram chegar, sobretudo, depois do PR e PM classificarem esta pandemia, como uma guerra, concordando que é de facto uma guerra, que tinha um nome mas que a frente e a retaguarda do combate estão invertidos...
           Continuemos a acompanhar a guerra, a ouvir os artilheiros e tenhamos cuidado com os estilhaços. E, como se fora o Marquês de Pombal a mandar, tratemos das vítimas e enterremos os mortos.

 

Excelentíssimo Senhores,

          Com vírus que matam Humanos e que não conseguimos aniquilar não há proporcionalidade. Há guerra biológica.

         É como alguém que quer entrar armado, a disparar, contra alguém que está em casa e nem arma tem. Tem que se atrasar a entrada do ataque de quem vem armado a disparar até que venha Autoridade e acabe com a ameaça que é, tal como o vírus, total e completamente assimétrica.

           A guerra biológica tem doutrina escrita, tem métodos e tácticas de emprego bem estabelecidas. São feitas manobras, exercícios, é treinada (os hospitais na China montados em meia dúzia de dias são a demonstração que, semana sim, semana sim, treinam contra medidas de guerra biológica).

           Em Portugal até havia o Hospital das Infecto-contagiosas na Boa Hora e outros com Pessoal treinado em guerra biológica e enquanto houve Hospital de Marinha também. Há ou havia pelo menos até ao Comando das Forças Armadas do General Pina Monteiro uma companhia especializada em guerra NBQR (nuclear, biológica química e radiológica) com standards de prontidão da NATO. Seria bem falar com o Pessoal que sabe e treina sobre este assunto.

         O que a China faz, o que a Rússia faz e os EUA estão a fazer é desencadear, no terreno, o que sabemos de contra medidas numa guerra biológica em todos os aspectos. A Europa, com excepção da Alemanha, nem tem noção da realidade que em tudo se comporta como um ataque de guerra biológica. Não resulta da agressão de um país a outro, mas de um vírus à espécie Humana; mas não deixa por isso de ser guerra biológica.

            A incúria Europeia, com excepção da Alemanha, é escondida por detrás de argumentos relativamente à China de que é um país comunista e uma ditadura, à Rússia de que também é quase uma ditadura e aos EUA de que têm o Presidente que têm.

          O que a China, a Rússia e os EUA estão a fazer é a pôr no terreno a táctica e a doutrina da Guerra Biológica e a conseguir utilizar o Pessoal de Saúde apenas na última linha de defesa. Têm na linha da frente da frente de combate Militares, GNR, Polícia, Protecção Civil e a População em geral a garantir a desinfecção pública e sobretudo o isolamento usando força se necessário for para que nesta luta assimétrica (vírus que mata e não é possível exterminá-lo) sejam, através do isolamento, infectados o menor número possível para que não chegue uma avalanche às portas do último reduto, o hospital.

          Não se pode deixar tudo à mercê e chegar ao Pessoal da Saúde e o Hospital com massas de infectados. Não podemos transformar a retaguarda (o Pessoal de Saúde e o hospital) na frente do combate.

           O que a Europa faz é isto: só dá batalha na última linha de defesa.

         Não podemos numa guerra biológica não ter o envolvimento de todos e deixar que o Pessoal na frente da frente sejam Médicos e Enfermeiros e Gente da Saúde. Esses devem estar a defender o último reduto, a barbecã dos tempos medievais. Não podem ser quem está na frente da frente.

          Na frente, na frente da frente da guerra biológica temos que estar todos nós, garantindo higiene pública e individual e isolamento com muita solidariedade e quando e se necessário garantido pela força do Estado. Quem, só por que sim, não se isola o máximo que pode, está a baldar-se para o lado do vírus e entregar a nossa vida à ameaça biológica mortal que o vírus traz.

           Não pode ser como agora em que na Europa, os hospitais, são, apenas, o que constitui a única linha da frente desta guerra biológica. É bem sabido o que acontece a quem ponha a sua defesa apenas no último reduto.

             Para estarmos todos, a agir eficazmente, temos que enfrentar este vírus com as bem estabelecidas tácticas de condução de uma guerra biológica. E nesta não há proporcionalidade. Há mobilização. Nós temos todos que ser os peões de Infantaria para que ao Pessoal dos Hospitais que na metáfora são os Cavaleiros possam apenas estar focados na derradeira luta, a luta pela vida no hospital. Eles, o Pessoal de Saúde e o hospital não podem ser a linha da frente da frente. Nós temos que ser a linha da frente da frente.

           Nós todos, com a Autoridade Militar, Policial e Civil mobilizados solidária e eficazmente na primeira linha da frente a garantir higiene individual e pública com isolamento individual ao máximo possível; para que chegue o menor número de casos à retaguarda da frente deste combate onde está o competentíssimo e abnegado Pessoal de Saúde e o hospital.

             Eu não sei, a não ser de alguns cálculos sobre o assunto (estão no P.S.) e por ver por muito de perto, muito do que descrevi da doutrina e da condução de guerra biológica na Emerging Security Challenges Division nos treze anos de Quartel Geral da NATO; mas porque ensino que só verdadeiramente sabe quem já fez (os outros ouvimos dizer) espero que como, em Portugal, há nas Forças Armadas, quem saiba (porque fez e teinou) como a guerra biológica se conduz seria bom que fossem consultados e sobretudo utilizados os seus conhecimentos.
            Forte Abraço do vosso
            FCR
            A Direcção da AFAP - Associação da Força Aérea Portuguesa

Como tratar o coronavírus, como curar o coronavírus, como evitar o coronavírus, o que fazer se apanhar coronavírus. O que é o coronavírus, como se proteger do coronavírus.

publicado por José Pereira Malveiro às 13:26

25
Mar 20

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A Gripe Espanhola ou a Influenza

          Em 4 de Outubro de 1918, o jornal a Capital, de Lisboa, noticia pela primeira vez, a pandemia que atingia Lisboa e o resto do país.

                               A actual epidemia
             e a falta de providencias das autoridades
                 sanitárias que estudam o micróbio.
A epidemia que está grassando em Lisboa atacou, pode dizer-se sem exagero, metade da população da capital. Veio de repente esse ataque? Não. Há um mês aproximadamente que o nosso colega Diário de Notícias vinha noticiando a marcha da influenza pneumónica nas terras da província. A epidemia foi alastrando, alastrando, aproximando-se pouco e pouco de Lisboa, onde começaram a afluir centenares, milhares mesmo de pessoas, vindas dos locais epidemiados e que, portanto, vinham contagiadas. Essas pessoas ou eram habitantes da capital, que estavam passando o Verão fora, ou dos arredores que fugiam para aqui, a fim de evitarem a doença. O que faziam, no entanto, as autoridade sanitárias da nossa terra, a quem incumbia tomar immediatas providencias? Contentavam-se uns em estudar se era o micróbio de Pfeiffer o causador da doença, outros se era essa causada pelo mesmo micróbio que já no tempo de Artaxeires III, quando da invasão do Egypto, tantas baixas fizera nos exércitos d’esse rei.

         De facto, a pandemia atacou de tal maneira a capital e as províncias que nenhum governo de qualquer país, por mais desenvolvido que fosse, estava em condições de travar o avanço deste vírus mortal, cujas estimativas apontam para quase 100 milhões de mortes em todo o planeta, correspondendo a cerca de 5% da população da época.
           Conhecida por gripe espanhola devido ao facto de terem sido os meios de comunicação espanhóis os primeiros a divulgarem essa pandemia, já que os outros países da Europa estavam em guerra e a divulgação de notícias estava restringida ao que os governos autorizavam, os efeitos desta gripe foram devastadores, os seus efeitos chegavam de forma violenta, sem darem tempo para o devido tratamento, as pessoas que se sentiam mal pela manhã, era certo que morriam na parte da tarde.
         Os doentes começavam por apresentar febre alta, dores de cabeça, dores musculares, fadiga, náuseas, vómitos e diarreias, dor de garganta e tosse com sangue e pus, sangramento pelo nariz ou pelos ouvidos e falta de ar que provocava uma cor azulada devido à falta de oxigênio.
         Nesta altura ainda não havia qualquer tipo de antibióticos, a penicilina seria descoberta dez anos depois, e os tratamentos eram à base de chás, infusões, sangramentos e mezinhas, com pouco ou nenhum efeito no tratamento desta doença, numa população supersticiosa e descrente da medicina ou dos tratamentos médicos, preferiam o apelo religioso e as várias iniciativas promovidas pela igreja, para a cura dos infetados e fim da epidemia, cuja concentração de pessoas em locais fechados como os claustros da igrejas, só veio facilitar a propagação do vírus, como aconteceu em Zamora onde o padre local, à revelia das ordens do governo, promoveu uma novena, tendo sido Zamora uma das cidades europeias onde mais se sentiu os efeitos desta epidemia com milhares de mortos.
          Em Garvão, não existe dados sobre os efeitos desta gripe na população, (os dados que existem referem-se ao país em geral). A tradição oral local reporta elevado número de mortos e para a existência de um cemitério entre o Furadouro e o Moinho, consubstanciado tanto pelas cartas cadastrais, como pelo pagamento da renda desse espaço pelo arrendatário até à década de 1980.
        As poucas intervenções arqueológicas, junto ao cemitério velho, apontam, por esta altura, para enterramentos fora do local de inumação habitual dos corpos e enterrados a pouca profundidade, lado a lado, junto à muralha da cerca defensiva do primitivo núcleo urbano da vila de Garvão, num dos locais sondados.
          De acordo com as notícias da época, em vários centros urbanos não havia madeira para tantos caixões, embora o uso da mortalha ainda fosse comum nos enterramentos nos meios rurais, nem lugares para sepultar tanta gente, assim como a falta de coveiros, porque muitos deles após tantos enterros. também ficaram doentes e morreram.

publicado por José Pereira Malveiro às 11:28

23
Mar 20

A participação dos indivíduos
         
          Numa comunidade como a vila de Garvão, quando se trata de defender o bem colectivo, nota-se que os interesses particulares prevalecem, embora se tente criar a noção de defender o bem comum.
          Cria-se ou transmite-se a sensação de colocar o interesse colectivo à frente dos interesses individuais, contudo nessa participação colectiva, o voluntariado de cada um torna-se, de facto, numa manifestação de interesse individual, com objectivos próprios e a beneficiar individualmente desse empenhamento colectivo.
          Numa vila como Garvão em que se nota a necessidade de união entre a população, continua-se a assistir a manifestações dramáticas de individualismo e exarcebadas reacções contra as poucas manifestações de unidade colectiva que se assiste na freguesia.
          De facto, contra as poucas obras comuns para benefício de todos, assiste-se a actos negativos, aparentemente de indivíduos inofensivos, mas provocando diversos tipos de desequilíbrio, altamente constrangedores e insanos, não se preocupam com princípios, resistem a mudanças e recusam-se a pensar com elevação, agem de acordo com a sua própria ilusão, em pensamentos inferiores, na preponderância do orgulho e do egoísmo.
          Na realidade uma participação no bem comum em termos de igualdade participativa contradiz o desejo de ascensão social, de individualismo e até mesmo de riqueza. A igualdade implica valores de cooperação, enquanto a ascensão social repousa na inveja e na ambição.
          Esta característica está em manifesta contradição com a necessidade comum da população que insiste no espírito coletivista dos seus habitantes, quando a característica prevalecente aponta para o individualismo.
          A competição agudiza as diferenças e o crescente bem-estar individual despoleta sentimentos de competição e inveja.
          Não é dos que desalmadamente batem com a mão no peito que rezará a história.
          Também não será daqueles que vêm na vida alheia a cura das suas frustações, como um alvo a abater para se sentirem elevados, já Ghandi o disse “os fracos precisam de humilhar os outros para se sentirem fortes”.
             Mas será certamente daqueles que nos precederam, daqueles que tiveram a nobreza de um dia alcançarem um dado momento da história da vila de Garvão, história essa porque houve alguém antes de nós que esteve na devida altura no seu lugar, com maior ou menor bravura, maior ou menor sofrimento e simplesmente tiveram a nobreza e o dom, que mais não fosse, da sua própria existência.

publicado por José Pereira Malveiro às 22:10

12
Mar 20

RECORDANDO

 

A Oeste nada de novo.
A não ser a trovoada.
O frio e a geada.
Soam trompetas, arautos e fanfarras.
Era a festa.
Sem velhos arqueados do reumatismo,
Era difícil prever o estado do tempo.
Havia o canito, sempre chamado fiel.
O Gaio na gaiola, sempre chamado chico.
E o gato aos pontapés, sempre chamado Lambuças.
Rugia o cão.
Assanhava-se o gato.
Assobiava o gaio.
E morria o porco.
Copinhos de aguardente.
Moleja ainda a borbulhar.
A faca ainda a sangrar.
Na mão do matador.
… Ah, chamaste Zéi!
Na família havia muitos Zéis.
Mas morreram todos,
Enquanto a faca a pingar de sangue,
Aponta ameaçadora na sua direcção.
Estoicamente, imaginava o pedaço de telha,
Com que raspava o porco, um escudo.
Era a galhofada.
Uma mão na cabeça, a desguedelhar.
Um pedaço de pão com glândulas.
E um cocharro de água.
Era a festa.

publicado por José Pereira Malveiro às 23:26

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Transportes para Garvão

 

Garvão fica siuado no Baixo Alentejo no Concelho de Ourique e tanto se pode chegar de carro, como de comboio ou de autocarro.

DE CARRO
Para quem vem do Norte ou do Sul, pode apanhar a A2 e sair na saída que indica Castro Verde/Ourique, seguindo depois pela N123, passando por Ourique, até Garvão.

DE COMBOIO
A partir de Lisboa, do Algarve ou das povoações servidas pelo comboio, para chegar a Garvão pode apanhar comboio até à estação da Funcheira, a qual dista cerca de 2 km, servido por transportes publicos até esta vila.

DE AUTOCARRO
De Lisboa ou do Algarve, até Ourique e depois novo autocarro até Garvão.

DE BEJA OU ÉVORA. Pode apanhar a IP2 até Ourique e depois a N123 até Garvão.

DE MÉRTOLA, a N123 leva directamente a Garvão.

publicado por José Pereira Malveiro às 12:01

01
Mar 20

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Siglas de Canteiro

          A ponte da Estação de Garvão, sobre a ribeira que vem da Aldeia das Amoreiras e de São Martinho, terá sido uma das mais importantes pontes da região, relevância que está directamente relacionada com a sua posição interior no território, no trajecto da antiga Estrada Real do Algarve e numa zona de transição da planície para a serra.
           Apesar da sua origem ser desconhecida, teremos de a contextualizar numa zona onde abundam os vestígios arqueológicos de várias épocas e onde, como se referiu, no caminho Norte/Sul. Terá sido objecto de beneficiação senão em épocas mais remotas, pelo menos em cronologias mais próximas.
           Sobre a antiguidade desta ponte, já foi mencionado, em artigo anterior,1 a sua possível identificação com a ponte referenciada na primeira representação conhecida do levantamento cartográfico do território nacional continental, por Fernando Álvaro Seco, publicado em Roma em 1561.
          Segundo Maria Fernanda Alegria,2 O mapa de A. SECO é extremamente rico na toponímia e na hidrografia, cita vários acidentes orográficos, deixa bem assinaladas as pontes sobre os cursos de água (embora não represente vias de comunicação).
            A povoação de Garvão, no referido mapa, surge entre dois cursos de água e apresenta na ribeira a poente uma ponte, a localização desta ponte a poente da vila, aponta para a ribeira da Estação de Garvão, precisamente no antigo trajecto da Estrada Real e onde se situa a ponte em questão.
           Numa fotografia que se encontra afixada no salão nobre da Casa do Povo de Garvão, apesar de não ter data, presume-se que seja de finais da década de 1930 ou da década de 1940, à semelhança das restantes fotos expostas e posterior à fundação das Casas do Povo nacionais pelo Decreto-Lei n.º 23 051 de 23 de Setembro de 1933, consta a legenda, A ponte sobre a Ribeira de Garvão-Amoreiras ao ser concluída, obra em cimento armado feita pela Casa do Povo local. Mostra um trabalhador, de costas, na parte superior da ponte em finais de construção, nomeadamente os passeios pedonais e respectivos balaústres laterais dos parapeitos, de facto construidos em cimento e presume-se armado, contudo as bases da ponte não são construidos no mesmo material, mas em pedra talhada.
         Segundo a tradição oral, nomeadamente a informação dada por Francisco Zacarias, (último Regedor de Garvão), a mencionada fotografia mostra obras de alargamento do tabuleiro para incluir passeios para a circulação pedonal, sobre uma ponte existente e cujo tabuleiro, estava degradado e a precisar de reparos.
          Numa observação à parte inferior da ponte, constata-se de facto a sobreposição, sobre uma ponte existente, dos suportes em “cimento armado” sobre os quais assentam os passeios pedonais. Pelo contrário, nas suas bases e pilares, nota-se que na construção dessas bases se empregou pedra lavrada em formato quadrangular no revestimento dos arcos, com as respectivas siglas de canteiro que se observam nos silhares, desde a sua base até aos que encerram os vários arcos.
            A existência destas siglas de canteiro, (das quais se reproduzem alguns exemplos), utilizadas principalmente durante a Idade Média, (entre os séculos V e XV) e a Renascença, (aproximadamente entre meados do século XIV e o fim do século XVI), sendo facilmente identificáveis em castelos, igrejas, palácios e pontes entre outras obras, serviam para identificar o autor da pedra talhada e este receber o devido pagamento, já que o trabalho era pago à peça e não ao dia, leva-nos a descartar uma fundação romana, nem se nota, nas suas bases qualquer reaproveitamento ou vestígios de fundações anteriores e sobre as quais, posteriormente teriam sido edificados os presentes pilares. (o ligeiro desalinhamento que se observa na base do pilar a Norte, não justifica uma interpretação diferente).
           Por outro lado, está ausente, igualmente, outros aspectos construtivos e opções arquitectónicas que caracterizam a construção de pontes romanas, nomeadamente os grandes silhares de aparelho almofadado e as habituais marcas de forceps, assim como esta ponte apresenta aspectos construtivos, pouco consentâneos com a tecnologia e arquitectura das pontes romanas, como, por exemplo, o tabuleiro pouco espesso, (não incluindo os mencionados passeios pedonais) e em cavalete, o grande vão dos arcos e a pequena dimensão dos silhares.
           As mencionadas siglas de canteiro, (a relação entre as marcas dos canteiros, ou dos pedreiros e a Maçonaria é outro assunto que se tentará tratar noutro artigo), em comparação com outras e a existência, até à actualidade, de um arruamento, diante da Igreja de São Sebastião e que atravessava a ribeira, possivelmente antes da construção da ponte, leva-nos a considerar a sua origem medieval ou pós-medieval, até que surja alguma informação mais precisa sobre a data da sua construção.
          Estruturalmente, compõe-se de três arcos de volta perfeita, com o arco central de maior amplitude composto por grandes e regulares silhares bem aparelhados e por aduelas de talhe perfeito, apresenta igualmente talhamares triangulares. Apesar da sua antiguidade e da coerência material das suas partes constituintes, não foi ainda objecto de um estudo integral, ou de um levantamento gráfico da estrutura que permita avaliar de forma concisa a sua antiguidade.

 

        1) https://garvao.blogs.sapo.pt/garvao-nos-primeiros-mapas-de-portugal-32146

       2)  Maria Fernanda Alegria, O povoamento a Sul do Tejo nos séculos XVI e XVII. REVISTA DA FACULDADE DE LETRAS – GEOGRAFIA I Série, Vol. I, Porto, 1986, p. 179 a 206

publicado por José Pereira Malveiro às 12:11

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