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Jun 19

O CASTELO de GARVÃO na LINHA de

DEFESA do ALTO-SADO MUÇULMANO

 

          A inexistência de documentação Medieval coeva que permita traçar uma cronologia dos acontecimentos relacionados com a reconquista do actual território português aos Muçulmanos, não permite apontar uma data precisa para a tomada territorial da área de Garvão.
          Desconhece-se igualmente se essa “tomada” foi pacífica ou bélica: se de conquista militar ou de fuga do exército muçulmano; se de pacto ou de rendição; se de abandono ou de ocupação pacífica.
          A fronteira, nestes tempos de reconquista, caracterizava-se por avanços e recuos. Se com D. Afonso Henriques se assistiu à conquista de territórios, Alcácer em 1160 e depois quase todo o Alentejo, posteriormente todo esse território seria recuperado pelos muçulmanos, pouco antes de D. Afonso morrer em 1185.
          Podemos assim aferir que a posse das terras alentejanas, desde as conquistas de D. Afonso Henriques, até à reconquista definitiva, oscilou várias vezes entre a posse muçulmana e cristã, nomeadamente Beja, inicialmente conquistada por D. Afonso Henriques em 1159, será abandonada quatro meses mais tarde, sendo novamente reconquistada em Dezembro de 1162. A ofensiva muçulmana dos Almóadas a partir de 1191, fez recuar novamente a fronteira até ao Tejo, ficando unicamente Évora nas mãos dos cristãos, Beja teria retornado definitivamente à posse cristã entre 1232 e 1234, no seguimento da derrota dos Almóadas em Navas de Tolosa no ano de 1212.
          A vitória cristã de Navas de Tolosa, marcou a fragilidade Almóada e permitiu aos reis cristãos da Península, relançarem a conquista territorial para Sul. A ofensiva cristã que se seguiu, permitiu a reconquista das terras perdidas além-Tejo e que marcava a fronteira até Évora.

Após uma conquista de al-Qaṣr em 1217, recuperação do sistema defensivo da cidade e atribuição de novo Foral em 1218, por D. Afonso II, parece-nos coerente que nos dois anos seguintes se terá processado a ocupação do espaço rural envolvente. De forma a manter coerente o termo Alcacerense, impedindo um provável avanço dos Cavaleiros de Évora num território que os Espatários consideravam como seu, terá sido efectuado um derradeiro esforço para conquistar o castelo do Torrão.
O natural défice em recursos humanos e económicos sentidos pela Ordem de Santiago na sua sede em Alcácer, terão forçado a Ordem a parar a ofensiva militar, de forma a canalizar os seus recursos para a ocupação da zona Norte da Bacia do Sado.
De 1220 a 1235 a fronteira estabiliza-se numa linha que passa a sul de Alcácer e do Torrão, frente a um Alto Sado Muçulmano defendido a partir dos castelos de Garvão, Messejana, Aljustrel e Beja. 1

         Depois da conquista de Alcácer e do período de consolidação territorial que se seguiu, em torno desta terra, a reconquista retoma com a tomada de Moura em 1232, Beja em 1232/1234, Aljustrel em 1234, Messejana em 1235 e Mértola em 1238 entre outras terras tomadas aos muçulmanos.
         A conquista total do Alentejo é tida em 1238, sendo de assumir que a conquista do termo de Garvão se situará antes de 1238 e posterior a 1235 depois das conquistas de Aljustrel e Messejana. O castelo de Garvão, na linha muçulmana de defesa do Alto-Sado, como António Rafael Carvalho aponta, terá feito desta praça, um dos objectivos da conquista dos cavaleiros espatários e como se afirmou anteriormente, a falta de documentação credível, não permite uma avaliação sobre a posse deste castelo, se pacífica ou bélica.

 

1 - António Rafael Carvalho, A Muṣalla do Ḥiṣn Ṭurruš/Torrão: Uma leitura arquitectónica. Alcácer do Sal/Torrão: Município de Alcácer do Sal, 2008, pág. 69.

publicado por José Pereira Malveiro às 11:50

21
Jun 19

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Decreto de 6 de Novembro de 1836

          

          A reforma administrativa de Passos Manuel, com a publicação do decreto de 6 de novembro de 1836, extinguiu o concelho de Garvão e 498 concelhos em Portugal continental.
          Ao contrário da criação dos distritos, (uma criação do Liberalismo, sem qualquer antecedente histórico)1 que pouca polémica levantou, o decreto de 6 de Novembro de 1836, gerou uma onda de protestos nos vários concelhos do país.
          Segundo Marino Miguel Franzini, presidente da Comissão da Estatística e Cadastro do Reino, em 1837, referindo-se a esse descontentamento e às queixas, muitas das quais considerava injustas, […] procedem das vistas particulares dos indivíduos interessados na conservação e governança de seus pequenos ou grandes concelhos, os quais excitam os povos à desobediência. Nem um só dos pequenos Concelhos quer descer da sua categoria e os grandes fazem toda a resistência para cederem alguma freguesia aos contíguos mais diminutos.
          A resistência das elites locais, que viam os seus interesses extintos, terá pesado fortemente na agitação popular à nova lei, mas a contestação geral mobilizava agora argumentos que são um testemunho da consciência destas pequenas comunidades.
          Esta vaga de protestos distingue-se por um nítido aumento da violência, […] por parte das populações reclamantes, chegando a atingir-se situações de insurreição de freguesias inteiras, que se recusam a reconhecer as autoridades dos novos concelhos a que são anexadas.2 
          O país foi assim dividido em distritos, concelhos e freguesias, sendo os distritos dirigidos por um administrador-geral, os concelhos por um administrador e as freguesias por um regedor. Os orgãos colegiais eram, respetivamente, a junta administrativa, a câmara municipal e a junta da paróquia.

 

1 - A sua origem remonta ao mapa das comarcas apresentado em 1827 à Câmara do Deputados pela comissão de divisão do território. A inspiração francesa do projecto é confessada pela própria comissão, mas os critérios em que se baseou, já estavam subjacentes na reforma das comarcas que a coroa portuguesa desencadeou em 1790.
2 - António Pedro Manique. Mouzinho da Silveira. Liberalismo e Administração Pública, Lisboa, Livros Horizonte, 1989, p. 158.

publicado por José Pereira Malveiro às 22:28

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