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Abr 18

CENTENÁRIO

“O Famigerado Herói do Crime Grande da Estação do Rocio”

Em Garvão I

Parte 2 (de 10)

Sobre a vida de José Júlio da Costa na vila de Garvão, desde o seu nascimento, pouco há a dizer ou a diferenciar das outras crianças nascidas nestas terras do interior.

Sabe-se que nasceu em Garvão a 14 de Outubro de 1893, sendo o segundo filho de sete filhos de Eduardo Brito Júlio e Maria Gertrudes da Costa Júlio, ambos de Garvão, com ramificações familiares a ricos lavradores nas terras vizinhas. Eram lavradores considerados abastados para e época e donos de várias propriedades na freguesia de Garvão onde praticavam a agricultura, estavam igualmente estabelecidos com loja e venda.

Ao pai de José Júlio da Costa não seria estranho as ideias republicanas ou mesmo alguma ligação a sociedades secretas, sejam elas Maçónicas ou Carbonárias, estando esta bastante activa nestes meios rurais.

A propagação das ideias carbonárias e como tal republicanas nestas terras do interior, atravessadas pela via-férrea, teriam sido divulgadas precisamente pelos politizados ferroviários. Fregueses habituais da venda, estes verdadeiros apregoadores de histórias, acontecimentos, notícias e ideias revolucionárias, em muito teriam influenciado tanto o pai como o jovem José Júlio da Costa.

Assim teria nascido numa família de pai republicano e tido igualmente como carbonário, segundo a informação de algumas pessoas da vila, ainda nos anos sessenta do século passado, apesar do pai ter falecido com Tifo a 6 de Setembro de 1906, com trinta e quatro anos, a pouco mais de um mês de José Júlio da Costa fazer os treze anos, cedo despontou no jovem José Júlio da Costa, a consciência revolucionária, pró-república, anti-monárquica, anti-clerical e a vontade de lutar pelos seus ideais.

Aos 16 anos de idade, a 21 de Maio de 1910, alista-se como voluntário no Exército Português. Para a tomada desta decisão não terá contribuído somente a influência paterna, mas igualmente a influência partidária ou de associações secretas, nomeadamente a Maçonaria ou mais provavelmente a Carbonária, o certo é que foi colocado, a cerca de quatro meses da implantação da República, no regimento de Infantaria 16, precisamente aquele sublevado por Machado Santos, o chefe Carbonário, seguindo uma das estratégicas da Carbonária que seria infiltrar as unidades militares com militares da sua confiança para que no dia programado sublevassem o quartel e abrissem as portas aos outros revolucionários comprometidos com a revolução.

Apesar de só metade da guarnição do quartel ter aderido à revolta, José Júlio da Costa era um deles.

In: José Pereira Malveiro, José Júlio da Costa - O Famigerado Herói do Crime Grande da Estação do Rocio, Garvão, 2018. (no prelo)

publicado por José Pereira às 21:42

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