26
Set 10

 

 

A IMPORTÂNCIA DE UM GRAFITO, NA BASE DE UMA CERÂMICA, DESCOBERTO NO DEPÓSITO VOTIVO DE GARVÃO 

 

Entendia-se que a primeira forma de escrita na Península Ibérica, introduzida pelos Fenícios e adaptada às línguas locais (ou nas próprias línguas destes navegadores do Levante Mediterrâneo), estaria em uso entre os séculos VII e V a.p., segundo as inúmeras estelas epigrafas encontradas e o contexto em que estavam inseridas, considerando-se extinta a partir dessa data.

 

Contudo a descoberta destas inscrições na base de uma taça no Depósito Votivo de Garvão do século II a.p., coloca Garvão e Alcácer do Sal, (pelas moedas encontradas), os locais onde mais tardiamente se manifesta a utilização e o conhecimento desta escrita, para muito além do que era vulgarmente entendido. 

 

"Em Garvão identificou-se um grafito (Alarcão e Santos 1996, 272 nº 32), de leitura discutida (Correa 1996a), sobre a base de um vaso do depósito votivo. Independentemente da sua leitura o seu achado é muito importante pela sua cronologia e a sua paleografia significativa pela sua proximidade à da amoedação de Alcácer do Sal (cf. Correia 2004b)." 

 

"O grafito de Garvão documenta a extensão do uso da escrita do Sudoeste, mesmo já fora do seu uso mais tradicional da epigrafia funerária, até meados do séc. II a.C. (Beirão et alii 1985, Correia 1996b); é essa data do fecho do depósito votivo e o grafito foi feito numa das peças de tipologia mais comum nesse depósito, sendo por isso natural pensar que não era uma peça muito antiga quando foi ocultada.

 

 

Esta datação permite afirmar que o grafito de Garvão é genericamente contemporâneo da legenda indígena da amoedação de Alcácer do Sal, sendo portanto necessário abandonar o mais forte argumento quanto à não pertença dessa amoedação ao signário do Sudoeste, que era precisamente a questão das datas conhecidas de utilização de um e de outro (Correia 2004c).

 

 

 

Retirado este Argumento (contra Faria 1991), não há razão para se não valorizarem alguns indícios paleográficos presentes numa e noutra inscrição, que abonariam a favor da pertença de ambos ao mesmo corpus epigráfico, o do Sudoeste."

 


In: A ESCRITA DO SUDOESTE: UMA VISÃO RETROSPECTIVA E PROSPECTIVA, Virgílio Hipólito Correia

 

publicado por José Pereira às 01:31

09
Set 10

  

 

A estela do Arzil, com inscrições da denominada escrita do Sudoeste, de influência Fenícia e de outros povos Semitas do Mediterrâneo Oriental, provém de uma necrópole situada a cerca de 200 m do Monte do mesmo nome, a pouca distância da ribeira de Garvão, relatando-se, possivelmente, com o habitat da Idade do Ferro localizado na proximidade.

 

Situa-se numa pequena elevação de vertentes suaves, onde predominam os terrenos xistosos, aflorando à superfície os denominados “chapéus de ferro” que foram, muito possivelmente, durante a Idade do Ferro, alvo de exploração mineira por povos do Mediterrâneo oriental, cujos vestígios foram detectados.

 

Leitura segundo Rodriguez Ramos (J.21.1):
uarpánté[/]arenaRkénii
uarpóiirsaruneeapárenaRkénii
[Mu] Vartoiir Saruneea mare nargenii

 

As referências à existência de uma mina nas proximidades, e alguns vestígios de exploração mineira no local, têm sido os argumentos usados para conectar o sítio com uma actividade extractiva de minério. Os solos do seu território envolvente incluem-se nas Classes C e D, o que, aliado à proximidade de cursos de água, faz pensar numa área de razoáveis capacidades agrícolas, permitindo uma agricultura de subsistência.

 

Sobre os mecanismos de relacionamento e coesão social, religiosa e económica destes habitats, ver o artigo sobre o Castelo de Garvão, como “Lugar central” e a sua supremacia nestes grupos mais ou menos dispersos.

 

In: ARRUDA, ANA MARGARIDA, A Idade do Ferro pós-orientalizante no Baixo Alentejo, REVISTA PORTUGUESA DE Arqueologia .volume 4.número 2.2001

 

publicado por José Pereira às 22:48

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