29
Out 09

Garvão eras um jardim

Em tempos que já lá vão

O gado dava o dinheiro

E a moagem dava o pão

 

O gado deixou de dar

E a moagem levou fim

E em tempos que já lá vão

Garvão eras um jardim

 

Porque será que os nossos conterrâneos passados tiveram a necessidade de fazer/cantar esta moda?

Teria Garvão em alguma altura da sua história recente parecido um jardim? Obviamente jardim está aqui no sentido metafórico, na medida em que implica um período de algum bem-estar.

Reporta claramente para um período em que a população de Garvão se sentia bem, talvez um período de trabalho e que pela altura da moda, não só já não se sentia bem, como sentia, inclusivamente, saudades desse período.

 

De facto se olharmos bem para as décadas de cinquenta e sessenta do século passado, constatamos que para além do trabalho agrícola e do gado que, como canta a moda,  deveria de prover, na altura, com rendimentos aceitáveis, e proporciona trabalho, não só temporário nas mondas, ceifas, debulha, apanha da azeitona e outros produtos, assim como trabalho permanente em cuidadores de gado, vaqueiros, porcariços, pastores etc, existia, também,  na vila unidades fabris que garantiam trabalho anual para uma boa parte da população.

 

Por essa altura havia a alta e a baixa moagem da Estação de Garvão, pelo menos duas fabricas de cortiça, o lagar no Largo da Amoreira (nessa altura chamado do Lagar), o lagar na moagem da estação, a fábrica dos pirolitos e adegas de vinho, estas unidades fabris davam emprego a várias centenas de pessoas que naturalmente permitiam a manutenção do comércio local e das lojas como a do Sr Sabino, a do Sr Pina, a do Sr José Cunha, a do Sr Joaquim Martins entre outras.

 

A questão a saber é se, tendo em consideração uma certa pujança fabril em Garvão num passado relativamente recente, se numa realidade completamente diferente, como a actual, será possível implementar mecanismos de desenvolvimento local, sejam eles de iniciativa privada ou colectiva, Associações e órgãos autárquicos.

 

publicado por José Pereira Malveiro às 17:05

18
Out 09

A Cultura de um povo vê-se pelas bebedeiras que apanha ou pelos livros que compra?

 

As recentes eleições autárquicas permitiu-nos, mais uma vês, assistir a mais uma manifestação de exaltação populista de alienação eufórica e histérica das massas, bradando e gritando em torno de qualquer coisa que se usa e deita fora, em torno de qualquer coisa que existe hoje mas sem amanhã, no fundo em torno do “nada”. Contudo nesta exaltação efémera alguém cai, nessa desenfreada irracional alguém sofre e esse alguém hoje poderá ser o nosso vizinho mas amanhã certamente seremos nós.

 

É preciso não esquecer-mos de que uma vitória significa a derrota de alguém, é preciso lembrarmo-nos de que quando celebramos uma vitória há sempre alguém que foi derrotado e que sofre, por isso como seres humanos, como cristãos ou não, mas essencialmente como seres que acreditam num mundo melhor, sejamos solidários com quem sofre e não façamos da nossa vitória uma prática revanchista e masoquista de exaltação pessoal ás custas do sofrimento ou das desgraças dos outros.

 

Não vamos por esse caminho da intolerância e das vitórias efémeras, não vamos pelo caminho da vitória em vitória até à derrota final. 

 

Façamos uso da democracia sim senhor, já que vivemos nela, com todas as suas virtudes e defeitos, mas não esqueçamos os nossos valores como humanos, a nossa dignidade como membros duma comunidade carente, carente de afectos, carente de atenção, mas carente essencialmente de solidariedade.

 

Mais do que nunca, nesta sociedade de consumo, os bens materiais ditam a nossa posição na sociedade, somos cada vês mais “analisados” e “catalogados” pelo que apresentamos, pelo carro, pela casa, pela maneira como falamos e vestimos e não pelo que realmente somos, e nessa busca esquecemo-nos de tanta coisa, tanta coisa que ficou para trás, para quê? Para afinal cair-nos no vazio e chegar-mos à conclusão de que não vale a pena.

 

Tem existido na Junta de Freguesia de Garvão vários livros antigos alguns do século XVII com a data de mil seiscentos e tal, outros do século XVIII e XIX, incluindo vários livros de actas da Misericórdia e do extinto Concelho de Garvão.

 

Estes livros em 1985 estavam guardados no antigo posto da GNR de Garvão, desactivado na altura, para ser queimados, sendo salvos no último minuto. Em 1997 no seguimento das cheias que assolaram a Junta de Freguesia também foram salvos, embora alguns tivessem sido atingidos pelas águas, tendo, tanto pela funcionária da junta que pôs alguns ao sol para secarem, como pelo presidente da Junta de então que depois de elucidado sobre o seu valor, tanto monetário como cultural, os pôs a salvo. Há quatro anos atrás ainda lá estavam.

 

Contudo hoje já lá não estão, e tanto os funcionários como os eleitos não sabem onde é que estão ou quem é que os levou.

 

Assim não vale a pena, existe habilidade para com o dinheiro da Junta irem “petiscar” para Vila Nova de Mil Fontes em “petiscos” de 200 e 300 euros mas não existe habilidade para salvaguardar a nosso património e a nossa cultura.

 

 

 

publicado por José Pereira Malveiro às 17:03

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