12
Dez 25

 Ver Publicações (27).jpg

JG34-1.jpg

 

Ler: JG34.pdf

 

     Dando continuidade a trinta e dois anos a divulgar a Vila de Garvão, a sua História, a sua Cultura, o seu Património e as suas Gentes, saiu mais um Jornal de Garvão.

 

     - Embora a edição em papel esteja limitada aos pedidos e não se promova a sua venda, a divulgação on-line é baixada cerca de 800 vezes por cada edição.

     - O Jornal de Garvão nº 30, sobre os 50 anos do 25 de Abril e sobre os presos políticos de Garvão durante a ditadura, foi baixada 3.756 vezes até esta data.

     - O Blog “Jornal de Garvão” teve no último ano (01/12/2024 a 01/12/2025), 5.092 visitas e 6.669 visualizações, o que corresponde a 14 visitas e 19 visualizações diárias.

 

ÍNDICE:

Jornal de Garvão nº 34 – Natal 2025.

Pág. 2- Editorial Envelhecimento e Desertificação

Pág. 2- Tesouros Ibéricos - Como Portugal e Espanha investem na preservação da memória Coletiva.

Pág. 3- Saúde em Ruptura e Comércio a Desaparecer – O Retrato de um Interior Ignorado- Por Mariana Alexandre.

Pág. 4 - FEIRA DE GARVÃO, Menção de 1282.

Pág. 5 – Eleições Autárquicas Outubro 2025

Pág. 5 – Bruno da Encarnação. Presidente da Junta de Freguesia de Garvão

Pág. 5 – Cláudia Gonçalves. Presidente e novos membros da Assembleia de Freguesia de Garvão.

Pág. 6 – Em Conversa com Ana Catarina. Secretária da Junta de Freguesia de Garvão.

Pág. 7 – Em conversa com Mário Loures. Tesoureiro da Junta de Freguesia de Garvão.

Pág. 7 -  ANTIGOS COMBATENTES DO ULTRAMAR Almoço-Convívio em Garvão

Pág. 8 - Livro “SUL E SUESTE” Uma Nova Leitura.

Pág. 9 - Apresentação do livro “SUL E SUESTE”, na Associação Sénior Castrense.

Pág. 10/11 – Dr. Marcelo Guerreiro, reeleito Presidente da Câmara Municipal de Ourique.

Pág. 12 - CANTE A DESPIQUE - Património Único do Sudoeste Alentejano.

Pág. 13 - Lagar de Cera em Garvão.

Pág. 14 - Carreira “BELO” O Condutor Eduardo e o Revisor Eugénio.

Pág. 15 - AUGUSTO GUERREIRO MESTRE, natural de Ourique. Herói nas campanhas de África, na captura do Régulo Gungunhana.

Pág. 16 - DESASTRE DO RÁPIDO DO ALGARVE EM 13/9/1954, Joaquim de Jesus Severino, natural de Garvão.

Pág. 17 - RECORDANDO FLORBELA ESPANCA, Poetisa Alentejana.

Pág. 18 - FAMÍLIAS COM HISTÓRIA, Família Vargas (Em Garvão).

Pág. 18 - FOTO DOS ALUNOS da Escola Primária - Garvão – 1954.

Pág. 19 - FOTO DA PONTE DA ESTAÇÃO DE GARVÃO, Antes da construção dos passeios laterais em 1937.

Pág. 19 - CULINÁRIA por Filomena Franco.

Pág. 19 - A TRADIÇÃO DE PEDIR OS BOLINHOS.

Pág. 20 - MAGUSTO de São Martinho.

Pág. 20 – Obras da Extensão de Saúde de Garvão.

Pág. 20 – Cadernos Culturais de Ourique.

 

Visualizações no BLOG.jpg

publicado por José Pereira às 18:59

01
Dez 25

Ver Publicações (27).jpg

Dança dos Paus.jpg

Representação da Dança das Espadas

 

Em 2003 escreveu-se no livro Garvão - Herança Histórica, no seguimento da ida da Dança de Garvão ao lar de Ourique em 1995 e segundo informação do nosso conterrâneo Francisco Charrua, só os idosos com mais de 85 anos em 1995 se lembravam da Dança das Espadas e da Dança dos Guizos ser dançada na vila de Garvão.

 

Agora em 2020, dezassete anos depois de passado à escrita essa informação, infelizmente os autores dos testemunhos recolhidos em 1995 já não se encontram entre nós, contudo surge-nos agora um novo testemunho deste tipo de danças que se faziam nesta zona, mais concretamente em Castro Verde.

 

Trata-se do Sr. Manuel Pancadas Gonçalves, com sessenta e nove anos, nasceu em 1951, relatou que por volta dos anos sessenta do século XX, o seu tio António foi um dos últimos organizadores destas danças, onde ele e os irmãos, Francisco Gonçalves, conhecido como o chinês e o Posidónio Gonçalves também faziam parte da dança.

 

Para além da Dança das Espadas, dançavam também a Dança dos Arquinhos e a do Mastro das Fitas, estas danças incluindo a das Espadas eram cantadas. Corriam as terras e aldeias em redor, Ourique, Almodôvar entre outras pelo carnaval e recebiam o que as pessoas lhes queriam oferecer, dinheiro, comedias e outros bens.

 

A Dança das Espadas era feita com uns paus a imitar espadas e a baterem uns nos outros, começavam em roda e depois faziam duas filas e cruzavam uns com os outros, rodopiavam e dançavam em volta, sempre batendo nos paus/espadas uns nos outros. Havia homens e outros homens trajados de mulher na Dança dos Arquinhos e do Pau das Fitas, contudo na Dança das Espadas e dos Guizos os elementos masculinos trajados de mulher não entravam, eram executadas só por dançarinos trajados de homens.

 

A Dança dos Guizos, como se relatou no mencionado livro, era executada com as coleiras dos animais cobertas de guizos, cascavéis, campainhas ou pequenos chocalhos, previamente recolhidos nas arramadas onde se guardava os animais, e enroladas em torno do corpo e das pernas, cujo som, sintonizado entre os dançarinos, dava o tom musical à respetiva dança.

 

A Dança dos Arquinhos era única cantada, as outras, das Voltas e do Pau das Fitas, eram executadas ao som da flauta nos finais dos anos de 1950 e princípios de 1960 e em anos mais recuados e incluindo a Dança das Espadas e dos Guizos, ao som da rebeca, tambor e outros instrumentos tradicionais, incluindo a viola tradicional alentejana de arame, hoje conhecida por viola campaniça.

publicado por José Pereira às 11:48

16
Nov 25

Ver Publicações (27).jpg

Untitled-1 (1).jpg

Letra A corresponde ao traçado projectado da estrada.

Letra B corresponde ao traçado actual, alterado por força da intervenção arqueológica.

A vermelho **** local de maior concentração de vestígios.

 

Relatório dos Trabalhos arqueológicos na Villa dos Franciscos em Garvão.

Escavação (1981)

Síntese dos Trabalhos

 

Objetivo:

     Sondar uma vasta área (cerca de 3 hectares), com a finalidade de justificar a alteração do traçado de uma via, para o mesmo local projectada.

     Efectuar todos os trabalhos arqueológicos possíveis, no intuito de delimitar a área da estação e a respectiva potência arqueológica da villa. Os trabalhos foram motivados pela construção de uma estrada que ligará Garvão à Aldeia das Amoreiras

 

Resultado:

     Efectuou-se uma prospecção intensiva da área em causa e sequente levantamento topográfico; sondagem superficial nas áreas mais periféricas, efectuada por uma retro-escavadora, trabalho que permitiu delimitar a zona arqueológica e avaliar potencialidades estratigráficas; sondagens onde se revelou a existência de duas salas contíguas, pavimentadas a opus signinum[1], bem como parte de um tanque com 4 degraus de acesso. No estremo Norte abriu-se uma sondagem que revelou a existência de muros em pedra, e material muito escasso.

 

Teve a intervenção dos arqueólogos:

Caetano Maria de Mello Beirão

José Olívio da Silva Caeiro

Mário Varela Gomes 

Rosa Varela Gomes

 

     Como resultado desta intervenção na herdade dos Franciscos, (parte da herdade do Arzil), forçou a alteração do traçado original da estrada projectada, devido à importância dos vestígios arqueológicos descobertos.

     Posteriormente, em 1984, os arqueólogos Mário Varela Gomes e Rosa Varela Gomes relatam o “Estudo da estela proveniente da villa”: Estela epigrafada de cariz funerário, a qual foi atribuída ao Século II d.C. ou mesmo aos inícios do século III d.C..

     A estela enquadra-se no tipo de lápides encontradas no sudoeste alentejano, mantém, contudo, estreitas ligações com a epigrafia do Noroeste, sobretudo no plano onomástico, para o qual os autores encontraram sobretudo paralelos no Conventus Bracarensis.

     Segundo os autores tratou-se de um achado avulso, não se podendo saber se teria sido reaproveitado ou pelo contrário faria parte da necrópole da dita villa. A leitura da epigrafe é a seguinte: LADRONV S / DOVAI BRA CA RVS CASTEL LO/ DVRBEDE H IC/ SITVS ES T A N NO/ RV M XXX / S T T L

     O conhecimento da importância em termos arqueológicos desta zona, já era do conhecimento das entidades competentes, pois já em 1908, no Archeologo Português, José leite de Vasconcellos[2],  menciona um busto em mármore, possivelmente de Agripina Menor, descoberto nos Franciscos e guardado no Museu Regional Rainha Dona Leonor, em Beja. 

 

[1] Opus signinum é um material de construção usado na Roma Antiga e nas diversas urbes do império. É uma forma de cimento romano que utiliza cerâmica quebrada, verificando-se que reduzido a pó e temperado com cal, torna-se mais sólido e durável. A sua principal vantagem sobre outras substâncias de natureza semelhante era a sua impermeabilidade, razão da sua utilização generalizada em residências particulares e também em edifícios públicos, nomeadamente na confeção de calçadas das casas e na construção de banhos romanos, aquedutos, cisternas e quaisquer edifícios que envolvam água.

O uso do termo signine faz referência a Signia (moderna Segni), a cidade do Lácio famosa pelos seus azulejos. Contudo a técnica, provavelmente terá sido inventada pelos fenícios, está documentada no início do século VII. AC em Tell el-Burak (Líbano) e depois nas colônias fenícias no Norte da África.

 

 [2] José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo, nasceu a 7 de julho de 1858, conhecido simplesmente como Leite de Vasconcelos, foi um etnógrafo, arqueólogo e autor prolífico português que escreveu extensivamente sobre a filologia e a pré-história portuguesas. Foi o fundador e o primeiro diretor do Museu Nacional de Arqueologia Português.

 

publicado por José Pereira às 22:05

29
Out 25

Ver Publicações (27).jpg

MOEDA IBÉRICA DUPÔNDIO EM COBRE.jpg

 MOEDA IBÉRICA DUPÔNDIO EM COBRE

 

     Entre as várias moedas encontradas em Garvão, a maioria no lugar do Castelo, encontra-se uma moeda ibérica, dupôndio em cobre, cunhada em Mértola por volta dos séculos I/II a.e.c.

     A moeda ilustrada, é uma das várias em circulação na Península Ibérica durante o Império Romano, cunhadas ou fundidas em vários locais da Península.

     Trata-se de um Dupôndio, antiga moeda romana de bronze em circulação durante a República (509 a.e.c a 27 e.c) e o Império romano (27 a 476 da era comum) da cidade de  Mértola.

     Apresenta numa das faces, as letras MURTIL, referente a Mértola e na outra face as letras LADER.

     A ocupação romana na Península Ibérica manteve-se até 409 e as moedas peninsulares romanas começaram a ser cunhadas a partir do ano 218 a.e.c.

     Com a ocupação romana, houve povos que não aceitaram a sua cultura e a sua moeda, tendo sido cunhadas por vários povos a sua moeda própria, surgindo assim a moeda Hispano-romana cunhada na Península Ibérica no tempo da ocupação romana.

     Na Lusitânia, foram diversas as cidades que cunharam moedas no actual território português, sendo elas Baesuris, Balsa, Brutobriga, Cilpes, Dipo, Imperatoria Salacia. Ipses.Ketovim. Ebora. Mvrtili. Ossonoba. Pax Ivlia. Sirpens

     A Lusitânia romana incluía aproximadamente todo o atual território português a sul do rio Douro, mais a Estremadura espanhola e parte da província de Salamanca. Tornou-se uma província romana a partir de 29 a.e.c. até ao fim do vínculo com Roma e entrega aos Alanos em 411.

publicado por José Pereira às 21:32

22
Set 25

Ver Publicações (27).jpg

E A “PEDRA” JUNTO À PORTA DO SR ZÉ CONDUTO

Lagar de Cera2 (1).jpg Pedra à porta do Sr zé Conduto (1).jpg

 

No “Livro do Tombo do Concelho de Garvão”, com a data de 9 de Maio de 1826, consta, no fólio trinta e nove, a menção ao Lagar de Cera, pagando em cada anno no dia de Natal, 100 réis, ao Concelho.

 

Tinha de comprimento, aproximadamente 24 metros e de largura, cerca de 22 metros. Sobre o local onde se situava, se por um lado menciona a Rua da Igreja, por outro lado menciona a Estrada Real e o Curral do Concelho, sendo a sua localização imprecisa neste momento.

 

Auto de Vistoria, Medição, Confrontação e

Tombação de hum terreno.

O Terreno do Lagar de cera junto a esta villa, de que he

Ephyteuta Maria de Jesus, paga de fôro pelo Natal -  -  - 100 (réis)

(…) no princípio da rua da igreja o terreno de que é ephyteuta Maria de

Jesus viúva de Diogo Domingues (…)

 (…) nelle se achava edificado um hum Lagar de fabricar cêra Amarella,

com todos os seus pertences, e hum quintal de semear murado de taipa e

pedra, e nelle duas oliveiras, e huma figueira (…)

(…) que parte do Norte com rua, do Nascente com estrada Real, do Sul

com curral do Concelho e do Poente com casas do mesmo ephyiteuta (…)

(…) tem de comprimento de Norte a Sul vinte e quatro varas; na

cabeceira do Norte dez; e na do Sul dezanove varas e meia (…)[1]

 

Tratava-se de hum Lagar de fabricar cêra Amarella, usada na preparação de vernizes, substâncias de limpeza e conservação de móveis, a mencionada descrição não menciona a fabricação de cera branca, usada quase exclusivamente na fabricação de velas tradicionais para iluminação e velas religiosas.

 

O processo de fabricação envolvia um moroso processo de aquecimento, prensagem e decantação. Na fase de prensagem, numa enorme viga, estava encaixada num parafuso de madeira que dois ou quatro homens rodavam e ao baixar a viga, esta fazia pressão no recipiente com a cera para a escoar. Este parafuso de madeira estava preso a um enorme peso que forçava igualmente a trave para baixo na ajuda à prensagem.

 

A pedra que se encontrava na esquina da casa do Sr. Zé Conduto, tudo aponta para que seja o peso, do lagar de cera, que força a trave para baixo.

 

Junto à porta da loja do Sr. Zé Conduto, loja de roupas e chapelaria nos anos sessenta do século passado, na rua Direita, à esquina da ladeira que dá para a ribeira, estava uma pedra redonda em forma de mó, de grandes dimensões, branca, possivelmente de calcário ou de mármore.

As suas dimensões não correspondem ao tamanho das pedras de mó conhecidas, demasiado larga, alta e pesada para tal função, terá de se procurar a sua utilização noutra actividade.

 

[1] Em Portugal, antes da introdução do sistema métrico, a vara era uma antiga unidade de medida linear com o valor de aproximadamente 1,10 metros. Era uma unidade base de comprimento, utilizada nomeadamente na construção, que podia subdividir-se em 5 palmos ou 3 côvados.  

publicado por José Pereira às 20:33

20
Ago 25

Ver Publicações (27).jpg

D. João I SILVES 6 (1).jpg

Diploma das Cortes Régias de 1398, na cidade do Porto, onde D. João I expressa o valor do diploma do seu bisavô, dado em Silves em 1282. (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Cortes, Suplemento, Maço 4, pergaminho n° 25)

 

A falta de menção da Feira de Garvão no rol das Cartas de Feira atribuídas pelos primeiros reis de Portugal e das quais a historiadora Virgínia Rau na sua obra Feiras Medievais Portuguesas descreve, não implica que esta não existisse desde os tempos mais remotos e leva-nos, inclusivamente, a ponderar sobre o inicio desta feira num período anterior à fundação da nacionalidade.

 

De facto, não seria um ato genesíaco ou um documento jurídico que iria criar um facto consolidado, segundo Maria Helena da Cruz Coelho, não seria a Carta de Feira, franca ou não, que iria instituir a feira nas povoações onde esta já existia.

 

Na realidade tais cartas, no geral, apenas instituíam “de lure”, situações que já existiam de facto. E em certos casos a realidade vivida nunca teria sentido necessidade desse complemento de legalidade. [1]

 

Em 1282, no reinado de D. Dinis, surge a menção de um documento que nos elucida sobre a existência da feira de Garvão desde tempos mais recuados.

 

Segundo Alberto Iria. O Algarve nas Cortes Medievais Portuguesas do Século XIV (Subsídios para a sua História). Academia Portuguesa da História, Lisboa, 1982:

 

Acontecera que, quando el-Rei D. Dinis esteve pela primeira vez no Algarve, em Silves, em 1282,[2] o Monarca firmou ali, a pedido e no interesse dos moradores do Algarve, um diploma da maior importância e que, infelizmente, parece não ter chegado até nós, relativo à cobrança do tributo da portagem pelos alcaides, meirinhos e porteiros dos lugares da Ordem de Santiago «e de todo o campo d´ourique...».[3]

 

Os direitos de portagem eram taxas cobradas, tanto pelo concelho, como, neste caso, pela Ordem de Santiago, nas terras onde eram donatários, pela entrada e saída de mercadorias e pessoas (caso dos escravos), nos lugares com feiras, onde eram transacionados.

Ainda segundo Alberto Iria: 

 

Tal abuso verificava-se também em Garvão - outro importante lugar do Baixo-Alentejo, frequentado pelos mercadores algarvios da época onde aliás o referido pagamento «nunca foy costume de se levar...», povoação situada não muito longe da área cerealífera de Campo de Ourique. E D. João I precisa até a época, então relativamente recente, a partir da qual (1383) os moradores do Algarve começaram a sentir-se agravados por parte dos comendadores da Ordem de Santiago: «... agora de pouco tenpo aaca depois da morte del-Rey nosso Irmaão [D. Fernando] os comendadores [da Ordem de Santiago] per força a tomam e levam [a portagem] o que nunca foy levada dos moradores da dicta Çidade...» [de Silves].

Determinou então o Monarca, no diploma em análise, dirigido a Estevão Domingues Falporrinho, a observância pura e simples do disposto na invocada carta del-Rei D. Dinis, dada em Silves, em 1282, como agora parece poder afirmar-se[4].

 

Nas Cortes Régias de 1398, na cidade do Porto, os procuradores do concelho de Silves, com base na carta dada em 1282, pelo rei D. Dinis em Silves, devido ao abuso do tributo da portagem pelos alcaides, meirinhos e porteiros dos lugares da Ordem de Santiago «e de todo o campo dourique...», solicitaram a D. João I, que pusesse cobro ao recente abuso verificado, onde os moradores do Algarve eram obrigados a pagar indevidamente duas portagens, a «da yda» e a «da tornada...».[5]

 

Assim, datado de 3 de Dezembro de 1398, D. João I em diploma dirigido a Estêvão Domingues Falporrinho, de Campo de Ourique, expressa o valor do mencionado diploma do seu bisavô, dado em Silves em 1282.

 

Dom Joham pella graça de deus Rey de Portugal e do Algarve A uos Stevem dominguez falporrinho do campo dourique Saúde sabede que o conçelho e homens boos da Cidade de silves nos envyarom dizer per seus procuradores a estas cortes que ora fezemos na cidade do Porto Nos tempos antigos que a dicta Çidade [de Silves] foy pobrada de christãos que nosso bisavoo que deus perdom deu sua carta aos do Regno do algarve na qual diz que fazia saber a todollos alcaides, meirinhos, e porteiros ara terra da de Santiago e de todo o campo dourique que os moradores do dicto regno do algarve lhe diserom que eles lhe tomavam portagens Nos logares honde nom era custume de as tomarem E que porem lhes mandava e defendia que nom tomassem portagem aos dictos moradores em toda a dicta terra senos em aquelles logares que dantigo fosse ustume levar E que nos lugares hu fosse custume de levarem portagem que lha nom tomassem mais de hũa vez da yda ou da bjinda a qual carta dizem que foy dada em em a dicta Çidade de Silve estando hy o dicto nosso bisavoo E que assy se fazia e custumava per vertude da dicta carta E que ora de pouco tenpo aaca em alcaçere e em alvalade levam portagem da yda e da tornada o que dizem que he muy grande sem Razom e contra o foro da Çidade de lixboa que he o ogar mais onrrado dos nossos Regnos e em garuam hu nunca foy custume de se levar agora de pouco tenpo aaca depois da morte delRey nosso Irmãao os comendadores per força a tomam e levam o que nunca foy levada dos moradores da dieta Çidade assy da yda come da víjnda a qual cousa dizem que fazem per poderio nom mostrando foro nem escreptura nem hordenaçom de como o avyam de levar E que Nos pidiom [per] merçee que Nos dictos logares hu foy custume pagar portagem que mandassemos que nom paguem nem levem mais que da yda ou da tornada [roto aqui o pergaminho] os moradores [roto também aqui o pergaminho] da tornada e se pagassem da yda que nom pagassem da tornada. E que outrosy nom pagassem portagem em o dicto logo de garuam pois nunca fora custume de a pagarem. E Nos veendo o que Nos assy diziam e pediam Teemos por bem e mandamos uos que se presentes partes a que pertençer achardes que assy he como elles dizem que veJades a sobre dicta carta e lha conprades e façades conprir e aguardar com dereito e nom conssentades nenhũa pssoa que lhe conitra ella vaa em nenhũa maneira do mundo Vnde al nom façades Dante na Cidade do porto Tres dias de dezenbro EIRey o mandou Per Rodrigo annes ouvijdor da Rainha nom seendo hy os do seu desembargo. Gonçalo annes a fez Era de mjl e iiij e trinta e seis anos – Rodericus Johanis. [6]

 

(Garvão e garuam a negrito, sublinhado pelo autor)

 

[1] COELHO, Maria Helena da Cruz. As feiras em tempos medievais. In: “vectores de desenvolvimento económico. As feiras da Idade Média à Época Contemporânea. Actas do 3º Encontro de História”, 2005, Vila do Conde, Câmara Municipal, p. 13.

[2] (Nota 81) iria, Alberto. Da importância Geo-Politica do Algarve, na defesa marítima de Portugal, nos séculos XV a XVIII. Lisboa, 1976, p. 10.

[3] Iria, Alberto. O Algarve nas Cortes Medievais Portuguesas do Século XIV (Subsídios para a sua História). Academia Portuguesa da História, Lisboa, 1982. Pág. 75.

[4] Idem, pág. 76/77. (Nota 82) Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Cortes, Suplemento, Maço 4, pergaminho n° 25.

[5] Idem, pág. 76.

[6] Idem, pág. 112/113/114.

publicado por José Pereira às 12:06

24
Jul 25

Ver Publicações (27).jpg

JG33-Capa (1).jpg

Click para ler o JG33.pdf

 

     Publicou-se mais um Jornal de Garvão.

     Garvão é uma das poucas freguesias a nível nacional que publica um Jornal, seja ele mensal, trimestral ou bianual, inteiramente dedicado à sua história, património e cultura geral.

     O Jornal de Garvão tem procurado divulgar a história desta terra, tentar consciencializar a população para a sua riqueza etno-arqueológica e sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteção do seu património como factor de desenvolvimento local.

publicado por José Pereira às 20:40

03
Jun 25

Ver Publicações (27).jpg           

CAPA Front.jpg

FNAC: Foral Velho 1267 José Pereira Malveiro - Capa Mole / Paperback - José Pereira Malveiro - Compra Livros na Fnac.pt 

         

     Em Fevereiro de 2017, comemorou-se os 750 anos da atribuição do primeiro Foral a Garvão, pelo Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia, no reinado de D. Afonso III.

       Comemorar este Foral é essencial para entender a história e o desenvolvimento, não só da vila de Garvão, mas do país em geral, são um marco na formação dos municípios, na definição de direitos e deveres dos habitantes e na organização da vida social e económica das comunidades. A celebração desses documentos, que estabeleceram as bases da organização local, ajuda a preservar a memória e a identidade das povoações, além de promover a reflexão sobre o passado e o futuro. 

         Os forais, concedidos entre os séculos XII e XVI, eram diplomas que definiam as relações entre a população e o rei ou senhorio, estabelecendo normas de convivência, direitos e deveres, além de fixarem impostos e taxas. A concessão de um foral era um passo crucial para a fixação da população, o desenvolvimento da economia e o fortalecimento da identidade local. 

       A atribuição das Cartas de Foral, às comunidades existentes nos territórios muçulmanos conquistados e que vinham implantando alguma forma de autonomia e administração local, criava, entre o rei e a população, uma aliança desmotivadora dos abusos por parte dos senhores locais, cuja prepotência, por vezes, tanto punha em causa as liberdades da população, como os direitos régios. “Os reis viam no povo o aliado ideal para atingir os seus objetivos e o povo sentia no Monarca a salvaguarda das suas liberdades”. In: Marcelo Caetano. História do Direito Português (1140-1495).

      Celebrar os forais permite lembrar a história das povoações, dos seus habitantes e das suas tradições, ajudando a fortalecer o senso de identidade e pertencimento. A reflexão sobre este tema pode contribuir para a compreensão do desenvolvimento local, das relações entre a população e o Estado, e das mudanças sociais ao longo do tempo. São igualmente, documentos de referência para a história, a cultura e o direito de Portugal e a sua celebração contribui para a valorização do património cultural e histórico. 

 
9789403802688
publicado por José Pereira às 18:59

29
Mai 25

Portal da Igreja Matriz.jpg

E a necessidade de ser considerada Monumento Nacional

 

            A Igreja Nossa Senhora da Assumpção da Vila de Garvão, é uma das poucas Igrejas no Alentejo que apresenta este modelo arquitetónico e é também, infelizmente, a que não está considerada como monumento nacional, como a de Viana do Alentejo e a de Moura, entre outras com portais do mesmo estilo.

            Ao contrário de outras Igrejas onde o portal está resguardado, nomeadamente o da Igreja de Viana, onde o portal está recuado em relação ao resto do edifício e a da Igreja de Cuba, que apresenta o mesmo estilo e está protegido por uma galilé, em Garvão cujas fotos tiradas na primeira metade do século passado, apresentam igualmente uma galilé, contudo em vez de se proceder à sua manutenção, este foi derrubado, expondo a frontaria da Igreja e o portal às intempéries e à força das restantes alterações atmosféricas.

            A deterioração que se tem observado nos seus componentes marmóreos, com a quebra de pequenas lascas que compõem as colunas laterais e superiores, elementos essenciais que caracterizam este estilo, poderá levar irremediavelmente à sua degradação e a perder as características que a poderiam levar a ser classificada como Monumento Nacional.

            As fotos que aqui se apresentam, transmitem uma mensagem que nos deve preocupar a todos. A conservação deste património, não se trata apenas de salvar a nossa história, trata-se essencialmente de preservar o nosso futuro comum.

publicado por José Pereira às 21:20

15
Abr 25

Ver Publicações.jpg

JG32 capa (4).jpg

Click para ler - JG32.pdf

 

publicado por José Pereira às 19:14

Dezembro 2025
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO