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Jul 17

Modernizar ou Descaracterizar?

          Será modernizar, os trabalhos da nova pavimentação no Largo da Palmeira e no Largo da Amoreira? Substituindo a tradicional calçada portuguesa de pedra por blocos de cimento, cortada de forma industrial.

          Segundo informação camarária:

"A Reabilitação Urbana é igualmente uma das prioridades de intervenção no quadro financeiro do Portugal 2020, existindo oportunidades para o financiamento de intervenções de reabilitação urbana protagonizadas por pessoas individuais e coletivas.

O acesso a estes fundos de apoio exige que as autarquias delimitem áreas de Reabilitação Urbana (ARU) nas várias localidades e apresentem um Plano de Ação para a Reabilitação Urbana do Concelho (PARU).

          Mas será preciso "reabilitar" com matérias mais pobres? Descaracterizando a vila, há base de cimento em vez da pedra tradicional. Requalificar não é isto! Não é substituir pedra natural por cimento. A requalificação urbana deveria de estar intimamente associada às caracteristicas especí­ficas de cada vila: de facto ao seu património, pelo que a destruição do mesmo, não é mais do que descaracterizar e empobrecer uma vila com relevância histórica.

          Segundo parece a chamada Reabilitatação Urbana não será mais do que aproveitar esses fundos europeus, em obras com outros fins que não necessariamente a valorização e embelezamento da vila. Estas obras requerem alguns estudos não só sobre o tipo de intervenções e qualidade dos materiais, mas igualmente sobre o impacto na terra a intervir, da sua história, do seu património e da cultura das suas gentes.

          Iremos ter agora os dois Largos principais da vila com lancil de cimento e calçada de cimento, a quem interessa isto? Não haverá o mínimo de sensibilidade, para não dizer gosto, sobre as especificidades destas terras? Acabar com o empedrado original, calçada e lancil de pedra e reverter para o cimento, não será progresso mas empobrecimento, sem qualquer vantagem, das caracterí­sticas estéticas destas vilas com uma riquí­ssima história.  

          Considera-se ofensivo e incompreensí­vel o que está a ser feito e usado, a intervenção deveria ter sido mais contida e reduzir algum do impacte que estas alterações vão provocar, para não falar já de um atentado arquitetónico, de uma violação de uma vila que se quer modesta e simples, mas decente e notável. É preciso sentir a terra e elaborar o que tiver de ser elaborado dentro de algum quadro de compreensão e afetividade.

          Será, obviamente, sempre preciso fazer alguma coisa para melhorar a qualidade de vida da população, mas que o seja sobre aspetos fulcrais, sobre aspetos que crie desenvolvimento, emprego e melhore as condições socio-económicas das suas gentes, das suas sinergias, aliado à capacidade empresarial e desenvolvimento sustentável da zona, abrangendo aspetos não só de caracteres económicos, mas igualmente sociais, ambientais, ecológicos e fí­sicos.

          Porque não um parque industrial? Nos terrenos públicos da Sardoa.

       Porque não vender esses lotes de terreno com valores simbólicos, com a obrigaçao de construção num certo espaço de tempo?

          Iria, sem dúvida, movimentar muita gente e materiais.

publicado por José Pereira às 20:52

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