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Jun 15

Bisavô  José Malveiro.jpgBisavó MARIA ANTÓNIA PEREIRA.JPG

FAMÍLIA MALVEIRO

          A origem da família ou das famílias de apelido Malveiro, como se verá, poderão ter diversas origens e estratos sociais. Várias poderão ter sido as famílias a portar tal nome, umas possivelmente nobiliárquicas ou proprietárias poderão ter dado o nome à herdade dos Malveiros, em Santa Luzia, outras que daí tiraram o nome, na sua maioria, senão na totalidade, trabalhadores agrícolas por aí residirem, (simultaneamente ou em várias épocas), dando origem a várias famílias a portar o nome Malveiro sem qualquer relação familiar com os primeiros.

          Entre as várias hipóteses avançadas, a origem do nome poderá estar associado à vila de Malva em Espanha junto à raia nordestina portuguesa, pois nos anos de 1430/1450, aparece a viverem na mesma altura na cidade de Évora tanto o apelido Malveiro com um individuo de apelido Da Malva[1] que poderá ser um ascendente ou familiar do anterior, com origem na localidade espanhola com esse mesmo topónimo e que terá imigrado para Évora de Espanha por várias razões, acompanhando a transumância dos rebanhos ou motivados pelo comércio e contrabando de panos e gado.

          A hipótese militar não poderá igualmente ser descartada, embora o primeiro relato escrito, do nome Malva, surja em 1430/1450, dois séculos depois da reconquista portuguesa, nada impede que por motivos militares, se tenham radicalizado em Portugal mais cedo. Em Espanha a luta dos reis católicos contra o reino de Granada prolongou-se praticamente até ao século XVI, (1492).

          O topónimo Malveiro aparece igualmente noutras regiões nomeadamente a Norte de Lisboa onde existem as localidades da Malveira da Serra no concelho de Cascais e Malveira no concelho de Mafra, afamada pela sua feira do gado[2].

          Aqui a hipótese de algum habitante de Malva, ou já portando o apelido Malveiro, se ter radicalizado e dado o nome à Malveira/Mafra, por motivos comerciais sai reforçada, ainda mais tendo em consideração que existe uma certa coincidência entre Garvão e Malveira/Mafra, materializadas ambas nas suas antiquíssimas feiras de Gado. Aqui sai reforçada igualmente a hipótese judia, na origem dos primeiros Malveiro, pois, os judeus, não só habitavam a raia espanhola como são reconhecidos pela sua aptidão comercial.

          Contudo quanto à suposição de ter sido um Malva ou Malveiro a dar o nome às várias localidades que portam o nome Malveiro na região a norte de Lisboa, o contrário também se aplica e poderá ser verdade, e famílias desta região, (dando o nome à Malveira/Mafra ou dela tirando o nome), acompanhando ou não o circuito comercial das feiras ou da transumância dos gados poderão ter dado o nome a outras localidades situadas mais a sul.

          Portando, pessoas oriundas da Malveira/Mafra poderão ter dado o nome à herdade dos Malveiros/Santa Luzia como proprietários, e por sua vês a herdade dos Malveiros terá dado o nome a várias famílias de trabalhadores agrícolas que lá moraram, (isto aplica-se, como é obvio, a outras herdades ou locais denominados Malveiro ou Malveiros, sem, contudo, se poder afirmar, com certeza, que a área de irradiação primitiva seja a Malveira/Mafra ou outra).

 

MALVEIROS e o Arzil, Laborela, Columbaes e o Montenegro

Surge igualmente várias informações sobre os Malveiros em várias páginas na internet, nomeadamente: http://esmesmojosuee.blogspot.pt/2008_07_01_archive.html e http://www.geneall.net .

“Ao que parece este apelido surge no Sul numa família nobre que no séc. XVI morava na Vila de Panóias. Esta família, ligou-se por casamentos, aos Britos, Cansados, Pais, Jorges e Falcões. Continuou através dos tempos detendora de várias propriedades na região, entre elas destacam-se o Arzil, os Malveiros a Laborela e o Montenegro. Algumas dessas propriedades ainda pertencem a seus descendentes, na família Brito Pais. No século XIX, a herdade da Laborela era pertença de um descendente dos Malveiros, chamado Francisco Jorge que esta aqui no Genea em http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=189670”[3]

Igualmente sobre a herdade da Laborela têm sido postadas valiosas informações em http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=264826

Escreve Maria Matos:

“A Herdade da Laborela pertencia no Séc. XVII a Manuel Gomes Malveiro cc. Maria Jorge[Silva] e em 1829 pertencia a Francisco Jorge Silva…)”

“Os descentes Bárbara da Conceição Malveiro e seu irmão Joaquim Eduardo Julio são ambos meus trisavós vistos os seus filhos, primos direitos terem casado entre si. São eles: Teresa Eduarda da Conceição de Jesus Maia e Carlos Júlio pais da minha avó Mariana Prazeres da Maia Júlio.”

Responde José Maria Ferreira

“O que eu tenho sobre a sua tretavó Maria do Espírito Santo Malveiro é que ela era filha de António Francisco e Teresa Malveiro de Garvão e foi casada com Eduardo Rodrigues [Júlio].

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] … baptizava muito em nome do espírito Santo ou não fosse ele casado com uma Maria do Espírito Santo, cuja família Malveiro pertencia à confraria do Espírito Santo!!!

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] era assim, ainda primo irmão de Eduardo de Brito Júlio, pai de José Júlio da Costa que assassinou Sidónio Pais, pois eram ambos netos de Joaquim Rodrigues do Vale e Maria Júlia de Santa Luzia.

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] foi também padrinho em Panoyas de Amélia Costa que casará mais tarde com Manuel da Costa, irmão de José Júlio da Costa.”

Portanto no primeiro quartel do séc. XVII a Herdade da Laborela, assim como a Herdade do Arzila (sic) e muitas outras herdades nos arredores e termo de Garvão, estão na posse dos Malveiros. Malveiros que em 1618 já eram moradores na Vila de Panoyas, onde Manuel Gomes Malveiro deu fiança a André Machado, morador na Vila de Garvão, para poder desempenhar o ofício de escrivão dos órfãos.

No entanto os lavradores que se ficaram pela Laborela, Arzil e Columbaes permaneceram ligados ao culto do Espírito Santo e ainda nos século XVIII e XIX faziam parte da Irmandade do Espírito Santo: António Malveiro, André Malveiro, Joaquim Malveiro, Joaquim José Malveiro, António Pedro Malveiro, Francisco José Malveiro.

São todos descendentes de Manuel Guomes Malveiro morador na Vila de Panoyas.”[4]

 

MALVEIROS de GARVÃO

No livro da Misericórdia e do Espírito Santo da vila de Garvão consta a menção a vários Malveiros:         

André Malveiro, 22 Maio 1734

Manoel Lopes Malveiro, 20 Março 1792

Antonio Malveiro, 7 Setembro 1769

Joaquim Malveiro 18 de Dezbro. de 1797

Joaquim Jozé Malveiro 15 de Fevrº de 1808.

Francisco Jozé Malveiro 17 d'Agto de 1814

Joaquim Jozé Malveiro 17 d'Agto de 1814

Antonio Pedro Malveiro 33 de Obrº de 1834

Francisco Jozé Malveiro 33 de Obrº de 1834.

António Pinto Malveiro 15 de Junho de 1881.

Francisco Malveiro e sua mulher Gertrudes Maria Canellas (ou Capella, tem de confimar) 13 Julho 1884

Surge igualmente a informação de M. Rosa Leitão: [5]

“O meu bisavó materno era António Pinto Malveiro nascido na vila de Garvão 1848, casado com Amélia Barbara das Neves Dinis, filho de José Pinto Malveiro natural de Garvão e de Teresa se Jesus, neto de António José Pinto e de Leonor Malveiro. o meu bisavó foi regedor em Garvão.”

Como se observou na lista do livro da Misericórdia e do Espírito Santo, existe um António Pinto Malveiro, no ano de 1881.

De João Barroca surge-nos igualmente a informação:[6]

“Ao pesquisar Garvão no ano de 1909, vi este nome, cito: ANTÓNIO PINTO MALVEIRO - Hospedaria em Garvão (Ourique)”

A informação foi retirada do Anuário de 1909,estes Anuários trazem os nomes e profissões das pessoas de Portugal, Ilhas e ex-colónias.

Deixo-lhe mais esta nota que referenciei no Anuário de 1908, cito:

JOSÉ ANTÓNIO MALVEIRO - Thesoureiro da Misericórdia e Hospital de Garvão.

Deixo-lhe os nomes das pessoas que faziam parte da Misericórdia e Hospital de Garvão em 1908/1909, cito:

- FRANCISCO ANTÓNIO TOGEIRO – Médico

- MARIA IGNÁCIA – Enfermeira

- JOSÉ ANTÓNIO MALVEIRO – Thesoureiro

- ANTÓNIO ANASTÁCIO DINIZ GAGO – Escrivão

- ANTÓNIO GONÇALVES MOREIRA – Párocho”

          Não deixa de ser interessante, o facto do Livro da Misericórdia e do Espírito Santo de Garvão, ter a última entrada por volta de 1890 e após as convulsões socais provocadas pelo liberalismo a Misericórdia de Garvão manteve a sua estrutura e continuou a ter alguma organização que se prolongou pelo século XX, até praticamente à república.

 

NOTAS:

[1] No inventário dos apelidos de família na obra " Évora na Idade Média" de Maria Angelica Rocha Beirante, regista o primeiro indivíduo de apelido MALVEIRO naquela cidade no período de 1430-1450, o qual poderá corresponder a Afonso Martins Malveiro, referido na mensagem anterior pelo confrade Luís Soveral. De notar que naquele mesmo período morava naquela cidade alentejana um indivíduo de apelido DA MALVA. In: http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[2] Lista de lugares com o nome Malveiro ou Malveira que puderão ter a ver com os deste apelido. Bairro da Mata da Malveira, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Casal da Malveira, localidade do concelho de Alcobaça, distrito de Leiria Casal do Malveiro, localidade do concelho de Sintra, distrito de Lisboa Malveira da Serra, localidade do concelho de Cascais, distrito de Lisboa Malveira de Cima, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, freguesia do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal Malveira, localidade do concelho de Almada, distrito de Setúbal Malveiro, localidade do concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa Malveiros, localidade do concelho de Ourique, distrito de Beja Quinta da Malveira, localidade do concelho de Aljezur, distrito de Faro Quinta da Malveira, localidade do concelho de Cascais, distrito de Lisboa

[3] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[4] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=264826

[5] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[6] idem

publicado por José Pereira às 10:17

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