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Dez 15

Texto publicado na edição do Expresso de 19 de Dezembro de 2009
Comendador Marques de Correia - Cartas Abertas

Quero deixar claro que, antes de escrever esta crónica, perguntei ao director deste jornaleco qual a posição editorial do mesmo sobre o assunto em debate. Respondeu-me que não tinha posição editorial e que queria a verdade. Pois bem, caros amigos, tereis a verdade, e se tiverem queixas enderecem-nas a ele, pois é dele e só dele a culpa do que ficarem a saber.
Àqueles leitores mais impressionáveis ou cuja devoção ultrapassa qualquer racionalidade (ao contrário do que recomenda Sua Santidade, o Papa Bento XVI) digo que mais vale ficarem por aqui do que persistirem numa revelação que pode não ser inteiramente do vosso agrado. Aos outros, aos que vindes comigo, que não vos feneça a coragem e o ânimo. Vamos a isto.
A grande questão deste tempo é, como sabeis, quem dá os presentes às crianças, se o Pai Natal, se o Menino Jesus. As duas escolas digladiam-se, e as suas armas estão bem visíveis nas frontarias dos edifícios: numas, uns homúnculos de vermelho com um saco de gatuno às costas trepam prédio acima; noutras, um pano aberto com um menino seminu deitado numas palhinhas com um halo que parecem espigas de milho a rodear-lhe a cabeça. Os primeiros apoiam o Pai Natal e os segundos o Menino Jesus. As suas posições são irreconciliáveis!
Dizem os defensores do Pai Natal que o velho São Nicolau, o Santa Claus, que vive no Pólo Norte rodeado de pequenos duendes e viaja numa noite por todo o mundo num trenó puxado por renas voadoras com nomes amaricados, é o verdadeiro distribuidor de presentes. Dizem os segundos que o menino nas palhas, por quem se reza uma missa do galo à meia-noite, é tão poderoso que mesmo sem se levantar da cama faz com que os meninos de todo o mundo possam ter uma PlayStation 3 ou um piãozito de madeira, consoante a condição social e a ambição expressa na carta ao... ia dizer Menino Jesus, mas ao Pai Natal também se escrevem cartas, havendo pelo menos um caso relatado em Paarvus, muito ao Norte da Finlândia, em que um menino recebeu presentes dos dois e ainda o rendimento mínimo português...
Quem tem razão? Na verdade, não me parece que possa ser a facção do Pai Natal. Que raio tem o São Nicolau a ver com o nascimento do filho de Deus? Porque havia de viver no Pólo Norte e não ter aparecido na Conferência de Copenhaga, onde tanto se discutiu o degelo? E os duendes? São críveis? As renas? Por amor de Deus! Mas um menino recém-nascido, nas palhas deitado, por muito poder que tenha, pode ler cartas? E quem transporta os presentes se não há renas nem trenó?
Foi assim que cheguei à conclusão lógica: não é o Pai Natal nem é o Menino Jesus! Estou neste momento inclinado a pensar que se trata de mais uma obra social do Governo do eng. Sócrates. Conhecendo o nosso primeiro-ministro, sabe-se que, embora não tenha renas, não lhe era impossível arranjar um grupo de outros animais que fizesse aquele trabalho. Isto a nível nacional, porque a nível planetário não há dúvida que é o Presidente Obama que distribui as PlayStations e os piões... Por isso, se para o ano virem uns homúnculos vestidos de fato liso com gravata de uma só cor, com sacos de gatuno, a subir os prédios (não sendo os fiscais do IRS), é porque as pessoas passaram a homenagear quem deve ser homenageado. O Presidente Obama, seminu, numas palhas, não terá tanta graça, mas também se arranja.

Feliz Natal para todos, e não se esqueçam de quem vos dá os presentes...

Comendador Marques de Correia (www.expresso.pt)

Vens das finamcas Cão Natal (1).jpg

 

publicado por José Pereira às 20:37

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